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01/09/2010 - 07h51

Brasil será testado na capitalização da Petrobras, diz minoritário estrangeiro

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TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

Maior acionista minoritário da Petrobras, a gestora americana BlackRock afirma que a credibilidade do Brasil será testada com a capitalização. Por esse motivo, a gestora crê que o governo e a Petrobras vão procurar preservar os interesses dos minoritários. "Não será a última vez que a Petrobras terá de ir ao mercado levantar dinheiro", diz o gestor Will Landers.

Folha - A BlackRock vai acompanhar a capitalização? Quais variáveis vocês olham?
Will Landers-- A principal é o preço do barril. Sem dúvida, o preço da ação é importante. Mas o que falta para terminar nosso trabalho de avaliação e saber se a operação faz sentido ou não é o preço do barril de petróleo.

Existe um preço-limite?
Will Landers-- Não. Vai depender não só do preço mas também de como a operação é estruturada.

O seu cotista pergunta se a BlackRock vai aderir?
Will Landers-- Ele não pergunta isso. Qualquer decisão de gestão de portfólio é 100% minha. É para isso que nos contratam. Para um acionista de um fundo de América Latina, a questão da Petrobras não é mais importante do que saber se o Brasil vai crescer ou como vai ser o próximo governo.

O BlackRock tem alguma queixa sobre o tratamento dado aos minoritários?
Will Landers-- Não vou reclamar antes de saber qual é a absorção final do negócio. O caso não terminou ainda. Hoje, essa discussão está muito mais na mídia do que entre os acionistas. Ficou muito politizado. Vamos esperar para ver se a operação vai ser feita de maneira que deixe o mercado confortável. Não será a última vez que a Petrobras terá de ir ao mercado levantar dinheiro.

A credibilidade do Brasil será testada com essa operação?
Will Landers-- Vai ser a maior operação já feita pelo Brasil. Todo mundo está prestando atenção. Essa é parte da razão pela qual a operação já foi atrasada uma vez. Com uma operação desse tamanho, tem de fazer tudo certinho, senão não vai acontecer.

As ações da Petrobras foram punidas pelas incertezas?
Will Landers-- Sem dúvida. Mas isso acontece também porque o acionista será diluído. A operação lembra ao mercado que a Petrobras é uma companhia do governo. Qualquer companhia do governo -e não é só no Brasil- vai ter um desconto em relação a uma companhia 100% privada. E pelo simples fato de que sempre tem essa possibilidade de troca do governo.

Por que o BlackRock reduziu a participação na Petrobras?
Will Landers-- O que ocorreu foi que o peso da ação caiu em nosso portfólio. Há um ano e meio, a Petrobras representava 20% da América Latina; hoje, 12%. A gente vendeu um pouco há uns dois ou três meses devido à preocupação com a incerteza sobre o tamanho e a forma da operação.

Como vocês explicam ao cotista o que ocorre com a ação?
Will Landers-- Falo que existe uma incerteza dada a necessidade da companhia de se capitalizar e por isso estamos com uma posição menor. E que isso não tem muito a ver com os fundamentos da companhia, mas que é uma questão acionária. Potencialmente, você vai ser diluído se não gostar do preço do barril que o governo vai propor ou impor.

Editoria de Arte/Folhapress
 

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