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01/09/2010 - 20h37

Copom mantém juros em 10,75% e deve deixar nova alta para próximo governo

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EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA

Atualizado às 20h56.

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros inalterada em 10,75% ao ano. A decisão interrompe o que deve ser o último ciclo de aperto monetário do governo Lula, que começou em abril. Na época, os juros estavam em 8,75% ao ano, menor nível da história.

A expectativa do mercado financeiro, no entanto, é que o BC deixe de herança para o próximo governo a tarefa de promover uma nova rodada de aumento da taxa no início de 2011. Há mais duas reuniões do Copom neste ano.

"O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 10,75% a.a., sem viés. Ao mesmo tempo em que não espera que o nível de inflação registrado nos últimos meses se mantenha em um futuro próximo, o Copom observa a continuação do processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde sua penúltima reunião. Nesse contexto, o Comitê avalia que, neste momento, a manutenção da taxa de juros básica no nível estabelecido em sua reunião de julho proporciona condições adequadas para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas."

A decisão de hoje já era esperada pela maioria dos economistas. Agora, a expectativa do mercado é que os juros voltem a subir em janeiro e terminem o próximo ano em 11,50%.

O Copom ainda tem duas reuniões marcadas neste ano, no final de outubro e início de dezembro, mas não há expectativas de mudanças até lá.

PIB

A manutenção da taxa básica reflete a avaliação do Copom de que a economia brasileira teve forte desaceleração no último trimestre, quando cresceu a uma taxa próxima de 1%, abaixo dos quase 3% registrados no começo do ano.

O dado oficial sobre o PIB (soma dos bens e serviços produzidos no país em um determinado período) do segundo trimestre será divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE.

Também pesaram na decisão a queda da inflação, devido ao recuo no preço dos alimentos, e a ainda fraca recuperação da economia internacional.

Ao contrário do que ocorreu na última reunião, em julho, não houve divergências entre o discurso do BC sobre a inflação e a decisão do Copom, segundo avaliação do mercado financeiro.

Analistas dizem, no entanto, que a economia voltará a se acelerar ainda neste ano, assim como os preços, o que obrigará o próximo governo a elevar novamente os juros para controlar a inflação.

Editoria de Arte/Folhapress

HISTÓRICO

Durante os oito anos de governo Lula, houve quatro ciclos de aumento da taxa básica, que estava em 25% ao ano quando o novo governo assumiu. O patamar mais alto foi atingido em fevereiro de 2003 (26,5%). O mais baixo, em julho de 2009 (8,75%), após a crise econômica iniciada em setembro do ano anterior.

O aperto mais longo e de maior intensidade foi realizado entre 2004 e 2005, quando a taxa subiu quase quatro pontos percentuais --o dobro da alta recente-- em um período de nove meses.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse várias vezes que, durante esses ciclos de aumentos, os juros nunca voltaram aos patamares de alta anteriores. Além disso, quando caíram, ficaram abaixo do piso verificado antes.

Na última redução, por exemplo, atingiram o menor patamar da história. Agora, ficaram abaixo dos 13,75% verificados no final da última sequência de alta, em 2008.

 

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