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Capital perde participação e responde por metade dos lançamentos de imóveis na GSP
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TATIANA RESENDE
DE SÃO PAULO
Depois de dominar os lançamentos de imóveis residenciais na região metropolitana até meados desta década, a capital paulista vem perdendo espaço e respondeu por menos da metade (49,9%) das moradias postas à venda neste ano.
Segundo levantamento do Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo feito a pedido da Folha, a participação era de 57,6% em 2009, considerando também o período de janeiro a agosto, o dado mais recente. Essa fatia chegava a 83,9% em 2004, quando a pesquisa da entidade passou a ser feita com a nova metodologia.
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Entre as explicações para esse espraiamento estão a escassez de terrenos e o Minha Casa, Minha Vida, cujos imóveis podem custar no máximo R$ 130 mil para se enquadrarem no programa federal.
| Alessandro Shinoda/Folhapress |
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| Empreendimento da MRV em São Bernardo do Campo (GSP) |
Entre os outros 38 municípios que compõem a Grande São Paulo, destacaram-se neste ano os lançamentos em Guarulhos, Barueri (incluindo Alphaville e Tamboré), São Bernardo do Campo, Santo André, Carapicuíba e Diadema.
Sobre a crítica recorrente do Secovi em relação à dificuldade na aprovação de projetos pela Prefeitura de São Paulo, o secretário municipal de Habitação, Ricardo Pereira Leite, destaca que há muitas secretarias envolvidas, como transportes, meio ambiente e desenvolvimento urbano.
"Essa complexidade é da cidade e tem um viés qualitativo, respeitando mais todos os aspectos. Com certeza fica menos célere, mas estamos procurando melhorar o processo de análise", diz.
O presidente do Secovi-SP, João Crestana, rebate lembrando que "a agilidade é importante não só para construtoras, mas também para consumidores". "Há mais exigências para aprovar, mas também mais ferramentas para agilizar esse processo."
A secretaria informou que os projetos de novos imóveis aprovados neste ano estão disponíveis para consulta pública, mas os interessados em saber o total devem contar um por um.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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"É difícil crescer ficando num só lugar. Ofertar mais implica sair de São Paulo. Se você não for, alguém vai", avalia Sergio Paulo dos Anjos, diretor da MRV. "[O problema na capital] é crítico, mas outras grandes cidades, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, passam por situações parecidas", completa.
Segundo Crestana, está difícil até encontrar áreas que abrigam estacionamentos para negociar. "Temos que comprar 20 casinhas para "formar" um terreno."
Rubens Junior, diretor da Rossi, acrescenta ainda que, "se fosse só achar o terreno, seria fácil. Temos que superar muitos problemas jurídicos e ambientais".
Na opinião do executivo, encontrar áreas compatíveis com o Minha Casa, Minha Vida em São Paulo "é quase impossível". O efeito disso é que "cidades às quais eventualmente não iríamos se tornaram mais atraentes".
A diversificação de oportunidade de negócios é apontada por Sandro Gamba, diretor da Gafisa, como uma necessidade para competir no mercado. "Tendo várias frentes de trabalho, podemos lançar simultaneamente vários empreendimentos."
Em vendas, o acompanhamento em toda a região metropolitana só começou a ser feito neste ano, período no qual a capital respondeu por 52,3% dos imóveis comercializados, patamar em linha com o de lançamentos.
DISTÂNCIAS
O deslocamento ainda é o principal problema enfrentado por quem mora fora da capital e precisa ir e voltar todos os dias para o trabalho, gargalo que une quem saiu da cidade em busca de qualidade de vida ou porque não conseguiu comprar um imóvel nas áreas valorizadas.
Para se ter uma ideia de como os congestionamentos ainda podem ficar piores, mais de 30% dos automóveis novos vendidos no país neste ano foram emplacados no Estado de São Paulo.
Na opinião de Candido Malta, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, "o pedágio urbano é inevitável". O especialista considera que só é possível demover as pessoas do uso do carro "mexendo no bolso". "Para eles, os problemas são sempre os outros."
O arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, acrescenta que ainda há uma lacuna na sociedade sobre o debate metropolitano. "Os municípios se fortaleceram com a Constituição de 1988, mas não se criou uma articulação", diz, lembrando da experiência em Londres, onde há uma instância de governo, eleita indiretamente pelos prefeitos, "para pensar além do município, o contexto metropolitano".
Nakano destaca a importância desse planejamento para não criar apenas cidades dormitórios, com oportunidades só de moradia, mas também com emprego, comércio, serviços e lazer.
Para Malta, as construtoras são "muito conservadoras", seguem os grandes movimentos da sociedade, indo onde já deu certo, onde está vendendo". Por isso, destaca, é preciso incentivos para projetos urbanísticos.
De acordo com ele, esse processo do emprego ir atrás das moradias "é natural na classe média, mas a baixa renda não tem esse poder", faixa da população que é mais penalizada pelas deficiências no tranporte público.
Além do projeto que está sendo elaborado pela prefeitura de São Paulo para a Concessão Urbanística Nova Luz, estão em andamento quatro operações urbanas na capital: Faria Lima, Água Espraiada, Centro e Água Branca, mas as duas últimas ainda precisam se adequar ao Estatuto das Cidades. Essas operações promovem alterações estruturais, definindo novos parâmetros de ocupação e de adensamento, com um incremento no estoque de imóveis residenciais e comerciais.
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