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12/12/2010 - 09h15

Sites de compras coletivas faturam US$ 500 milhões em 2010

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CAMILA FUSCO
DE SÃO PAULO

Nova febre na internet brasileira, os sites de compra coletiva têm pouco mais de nove meses de operação no Brasil, mas devem movimentar R$ 500 milhões neste ano.

Com a lógica do "atacado virtual", em que as vendas são feitas com descontos de até 90% para grupos, esses portais já respondem por 4% do número de transações do comércio on-line no país.

"Em menos de um ano, os portais de compra coletiva já somam 2 milhões de transações, ante 50 milhões do varejo on-line, que tem 13 anos", diz Gastão Mattos, da consultoria GMattos.

Criado por três sócios com experiência em tecnologia nos Estados Unidos, o Peixe Urbano puxou a tendência a partir de março. Num sobrado em Botafogo, no Rio, os sócios se dividiam entre a infraestrutura de tecnologia e a construção de parcerias.

"Não foi fácil. A cada dez portas que eu batia para negociar descontos, nove recusavam", diz Julio Vasconcellos, um dos fundadores.

O modelo, aos poucos, conquistou os empresários, especialmente por não haver investimento inicial. A comissão é repassada sobre o total das vendas feitas -em geral, de 50% sobre a oferta.

"O empresário pode até gastar dinheiro, mas o retorno vem quando os consumidores voltam ao estabelecimento", diz Vasconcellos.

Rafael Andrade/Folhapress
Julio Vasconcellos, um dos três fundadores do site de compras coletivas com desconto Peixe Urbano, no Rio
Julio Vasconcellos, um dos três fundadores do site de compras coletivas com desconto Peixe Urbano, no Rio

CRESCIMENTO

Não existem números precisos, mas se estima em 400 o número de sites do gênero do país, num ritmo de crescimento que remete à era inicial da internet. Quatro deles são os que já ganharam fôlego (Peixe Urbano, Clube Urbano, ClickOn e Imperdível).

O ClickOn tem hoje 150 funcionários. O Clube Urbano, versão local do americano Groupon, já conquistou mais de 3,5 milhões de usuários e fez de São Paulo seu terceiro maior mercado, atrás de Paris e de Londres.

O Imperdível descobriu na qualificação da audiência o seu grande filão.

"Nossas ofertas são voltadas para as classes A e B. É vantagem para o parceiro trabalhar conosco porque esse cliente que compra o serviço com desconto pode estar disposto a voltar e a pagar o preço cheio mesmo por um serviço que não é necessariamente barato", diz Paulo Veras, um dos sócios.

Outros portais criaram modelos atrelados à fidelidade, como o Mel na Boca, do Rio, que promete até 100% de desconto para quem convencer os amigos a comprar.

Para os especialistas, apesar do crescimento desenfreado em 2010, o ano que vem será de estabilidade.

"O cliente escolherá os sites com melhor estrutura, e os portais descobrirão que é preciso manter equipe robusta de venda para sustentar as promoções", diz Mattos.

Editoria de Arte/Folhapress
 

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