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Cartão Aluguel da Caixa terá taxa de 6,67% ao mês e anuidade de R$ 96
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TATIANA RESENDE
DE SÃO PAULO
O Cartão Aluguel da Caixa Econômica Federal, lançado nesta segunda-feira como opção de garantia na locação residencial, terá uma taxa de anuidade de R$ 96 e outra de manutenção de 6,67% ao mês. Ao final de um ano, esse encargo vai ser equivalente a 80% do valor de um aluguel mensal.
O produto, uma alternativa ao fiador, ao depósito caução e ao seguro-fiança, será oferecido nas bandeiras MasterCard e Visa e o cliente terá dois limites, sendo um exclusivamente para o aluguel e outro para o pagamento de compras em estabelecimentos comerciais. O contrato fechado com o banco e com a imobiliária pode variar de 2 a 12 meses, no máximo.
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Vale lembrar que a maioria dos contratos de locação residencial são de 30 meses. O intervalo é o mais usual para que, ao final do período estipulado, seja possível entrar --se necessário-- com uma ação de denúncia vazia para retirar o inquilino do imóvel. De outra forma, será preciso haver uma razão para pedir a saída do locatário, não bastando ter encerrado o contrato. Em um contrato inferior a 30 meses, o proprietário só poderá fazer a denúncia vazia depois de cinco anos.
Se ficar inadimplente com a fatura do cartão, que passa a incluir o valor do aluguel, o cliente terá que pagar ainda juros, que não foram informados pelo banco. Na média, a linha de cartão de crédito tem uma taxa de 10,7% ao mês, segundo a última pesquisa da Anefac referente a novembro.
O vice-presidente de pessoa física da Caixa, Fábio Lenza, não quis detalhar quais seriam os critérios de análise de crédito, adiantando apenas que a renda mínima exigida no projeto piloto --em quatro imobiliárias de São Paulo e de Goiás a partir desta semana-- é de R$ 1.000. O produto deve chegar a todo o Brasil em fevereiro e pode haver ajustes nas regras de acordo com a região.
DOIS LIMITES
Para o executivo, o fato de haver dois limites para o cartão não vai incentivar a inadimplência, citando como exemplo o teto para o cheque especial e para o crédito pessoal para o mesmo cliente. "Isso já é praxe do sistema bancário", afirmou.
O presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) do Estado de São Paulo, José Augusto Viana Neto, destaca a importância do novo produto para estimular a concorrência. Na sua opinião, as seguradoras já devem estar pensando como reduzir o seguro-fiança e os bancos privados podem lançar produtos semelhantes para competir com a Caixa. Pesquisa do Creci-SP mostra que cerca de 60% dos aluguéis são de até R$ 800 no Estado.
Para João Crestana, presidente do Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo, o Cartão Aluguel deve incentivar os investimentos em imóveis para alugar e ser vantajoso também para quem até então dependia de fiador. "O inquilino não vai mais precisar pedir favor a ninguém." Para ele, será possível até negociar um valor menor de aluguel, já que o locatário "terá o melhor fiador: um banco".
METAS
A Caixa prevê atingir 300 imobiliárias cadastradas até fevereiro, quando o produto será lançado nacionalmente. Mais de 4.000 já têm parceria com o banco federal para o financiamento na compra de um imóvel e serão convidadas a participar.
A expectativa é ter 100 mil cartões um ano após o início das operações em âmbito nacional. Para cinco anos, a meta é ainda mais ousada: chegar a 1 milhão. A base de cartões convencionais da Caixa tem atualmente 7,7 milhões de unidades em circulação. "O risco [de calote] é diluído dentro da carteira, diminuindo o preço do valor final para o cliente", afirma Lenza.
ALTERNATIVAS
O seguro-fiança vem ganhando espaço no mercado de locação, mas ainda esbarra no valor alto. A despesa extra em um ano equivale a 80% do valor de um aluguel mensal, considerando a cobertura básica na Porto Seguro, que domina esse mercado. Há inquilinos que não conseguem encontrar um fiador e locadores que não consideram o depósito caução vantajoso porque cobre apenas três meses de atraso no pagamento do aluguel.
O mercado de locação residencial segue aquecido. Na capital paulista, os contratos novos assinados em novembro tiveram aumento médio de 1,6% em relação aos valores negociados em outubro. No acumulado dos últimos 12 meses, o acréscimo atinge 12,9%, segundo os dados do Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo divulgados nesta segunda-feira.
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