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07/02/2011 - 19h59

Groupon gera protestos após comercial sobre o Tibete nos EUA

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DE SÃO PAULO

A estreia do site de compras coletivas Groupon nos comerciais do Super Bowl, principal partida do futebol americano nos Estados Unidos, pretendia ser engraçada, mas acabou provocando a ira dos espectadores e de grupos de defesa dos Direitos Humanos ao fazer piada sobre um tema social sério: o Tibete.

Em um dos comerciais, o ator Timothy Hutton afirma "as pessoas no Tibete estão com problemas, sua cultura está em risco", enquanto fotos do Tibete são mostradas na tela. No decorrer do anúncio, porém, o espectador percebe que ele está, na verdade, promovendo um cupom do site para comer peixe com curry.

O comercial, que estreou durante a maior noite da publicidade nos EUA, quando um espaço de 30 segundos chega a custar US$ 3 milhões, gerou reações negativas nas redes sociais Twitter e Facebook.

Organizações de defesa dos Direitos Humanos criticaram o anúncio por minimizar a situação do Tibete, que vem sendo controlado pela China há 60 anos. A maneira do governo chinês de lidar com o Tibete é frequentemente alvo de protestos desses grupos, que acusam o país de repressão política.

Veja Vìdeo

O anúncio faz parte de uma série de comerciais do Groupon que trata com humor questões sociais importantes mas que, ao mesmo tempo, chama atenção para a arrecadação de fundos para ajudar.

Todos os filmes indicam para o espectador o site http://www.savethemoney.org, que encoraja os visitantes a doar recursos para cada uma das causas relacionadas aos anúncios, incluindo o Tibet Fund e o Greenpeace.

"Eles poderiam argumentar que o anúncio ajudou a mostrar o que está acontecendo no Tibete, afinal de contas, a consciência é o primeiro passo para a tomada de responsabilidade", afirma a ONG Free Tibet. "Mas ele coloca os tibetanos e seu sofrimento no centro de uma piada e, quando usado para fins comerciais, isso é exploração."

Os outros dois filmes da série veiculados no Super Bowl no domingo mostram o ator Cuba Gooding Jr. falando sobre a situação das baleias, e depois vendendo cupons para um cruzeiro; e Elizabeth Hurley lamentando o desmatamento e em seguida falando sobre um desconto para uma depilação de estilo brasileiro.

EFEITO COLATERAL

Além de despertar a ira dos ativistas, o comercial do Groupon sobre o Tibete pode ter outro efeito colateral. Entre todos os interessados no assunto, o governo chinês é, provavelmente, quem menos gosta da exposição dos problemas na região.

E, em um momento em que muitas empresas se voltam para o crescente mercado interno da China, criar problemas com o governo pode não ser a melhor ideia.

No mês passado, notícias informaram que o site de compras coletivas negocia com o grupo chinês de internet Tencent uma parceria para ingressar no mercado chinês.

A 45ª edição do Super Bowl obteve audiência média de 47,9 pontos em 56 praças televisivas dos Estados Unidos, segundo dados divulgados na segunda-feira pelo canal Fox.

com agências internacionais

 

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