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Carros desmontados já respondem por 38% das exportações
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TATIANA RESENDE
DE SÃO PAULO
Os veículos desmontados continuam ganhando espaço nas exportações. A participação dos chamados CKDs ("complete knock-down"), que consistem em um kit com as peças para a montagem do veículo no país de destino, passou de 26% no primeiro bimestre de 2010 para 38% no mesmo período deste ano, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pela Anfavea (associação das montadoras).
As vendas externas de desmontados subiram 70,1% no acumulado do ano, atingindo 44.915 unidades. Já a dos automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões prontos caiu 2,5% no mesmo confronto, para 73.256 unidades.
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Produção de veículos cresce 24% e bate recorde em fevereiro
Para o presidente da entidade, Cledorvino Belini, o aumento na participação não preocupa pois os desmontados se referem a contratos de longo prazo, em acordos fechados com países que fazem a produção. O executivo admite, no entanto, que a indústria automotiva instalada no país está perdendo a competitividade para exportar os veículos montados.
Considerando a soma dos dois tipos, as vendas externas cresceram 16,4% no bimestre em quantidade, mas 12,9% em valor, já que os desmontados têm menor valor agregado.
Questionado sobre a perspectiva de aumento no preço do aço, uma das matérias primas mais importantes na composição do custo de fabricação do carro, Belini ressaltou que é mais um agravante na falta de competitividade e lembrou que o produto importado é 40% mais barato do que o nacional. "Cada montadora tem sua estratégia. A maioria tem contrato de longo prazo com as usinas até o final do ano", ponderou. "O que nós não entendemos é se vai haver quebra de contrato." À medida que haja mais aumentos, acrescenta, haverá maior volume de importações, que ainda compensam, segundo ele, apesar do frete.
Sobre mais um recorde de vendas, apesar das medidas de restrição ao crédito anunciadas pelo Banco Central no final de 2010, Belini afirmou que elas "têm um tempo natural de maturação no varejo", contabilizando esse período em quatro a cinco meses.
A fatia dos veículos 1.0, mais suscetíveis a mudanças nos financiamentos, voltou a cair em fevereiro, para 45,8% dos licenciamentos. Com isso, a média no ano ficou em 46,0%, bem abaixo da contabilizada nos 12 meses de 2010 (50,8%).
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