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Milionário paranaense dá calcinhas e cuecas para funcionários
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FELIPE VANINI BRUNING
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O excêntrico empresário Mário Gazin, 62, distribui cuecas e calcinhas com as metas da empresa e reza com os funcionários antes do expediente.
Surpreendentemente, a Gazin, sua rede de móveis e eletrodomésticos de Douradina (PR), município de 8.000 habitantes, foi considerada a melhor em gestão de pessoas pelo jornal "Valor Econômico" no ano passado.
Ex-vendedor de picolé em represa tem hoje 4.000 funcionários
Ex-sapateiro, sua rede de varejo seguiu a diáspora de migrantes sulistas, avançando pelas cidades do oeste do país.
Neste depoimento ao repórter Felipe Vanini Bruning, Gazin conta como criou seu negócio e como é o relacionamento com seus funcionários.
*
Hoje estou em Aripuanã, no Mato Grosso. Depois vou para Diamantino, também no Mato Grosso, e para Ariquemes, em Rondônia.
Nas próximas duas semanas, vou visitar 50 cidades, os depósitos e encontrar todos os gerentes. Conheço todos os 5.200 funcionários da Gazin, com exceção dos mais novos, que acabaram de entrar. Chamo todos de meu filho ou minha filha.
Faço essas viagens duas vezes por ano. Apresento uma palestra e depois o pessoal tem aulas específicas com instrutores. O tema agora é "O que é ganhar dinheiro". Todo mundo está ganhando mais. O importante é também não gastar à toa.
Preciso ajudar meus funcionários. Afinal, são eles que me ajudam a pagar as mordomias da minha mulher, do meu filho e daí por diante.
Para ajudar minha família, já trabalhei como sapateiro, vendedor, motorista, padeiro e na colheita de café.
Na época em que trabalhava como vendedor, sempre perguntava para meu patrão quanto teríamos de vender. Mas ele nunca respondia.
Daí eu pensei que quando tivesse a minha loja iria contar para todo mundo quanto queria vender e onde queria chegar.
Há mais de 20 anos entrego cuecas e calcinhas com as metas do mês, o lucro e o crescimento de patrimônio líquido. Virou tradição.
Já me perguntaram se isso não era constrangedor. A verdade é que a história pegou e hoje são os funcionários que me pedem. Tenho de andar com uma mala cheia para dar conta dos pedidos.
Tentei mudar para lencinhos, mas não funcionou.
| Ivonaldo Alexandre/Valor/Folhapress | ||
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| "Preciso ajudar meus funcionários. São eles que me ajudam a pagar mordomias da minha mulher e do meu filho" |
Todos os dias antes de abrir as lojas e as fábricas os funcionários fazem uma oração. Isso já acontece há mais de 30 anos.
No começo, o pessoal ficava acanhado. Tinha gente que ficava vermelha. Mas a ideia era que todo mundo participasse. Hoje, todos já falam espontaneamente.
Temos uma vez por mês um café comunitário. Nesse café, não é a Gazin que paga pela comida: cada um leva o seu prato.
No início, muita gente não levava nada, mas essas pessoas não eram proibidas de pegar o leite do amigo ou o biscoito, só que normalmente faltava comida. Agora já se acostumaram, sempre sobra.
Na Gazin, tem uma máquina de bebidas e todo mundo, até eu, tem de pagar R$ 0,25 pelo café.
O que acontecia é que muita gente levantava o tempo todo só porque o café era de graça. Agora, até eu, às vezes, deixo de tomar um café porque não tenho R$ 0,25 no bolso e trabalho um pouco mais.
Nunca quis me endividar. Todo o crescimento da Gazin foi com recursos próprios.
Empréstimo em bancos, só para projetos pequenos e com a certeza de que conseguiria quitar as parcelas antes do vencimento. Não quero crescer desordenadamente.
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