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04/10/2011 - 13h13

Entenda por que o dólar ficou mais caro

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DE SÃO PAULO

Atualizado em 07/10/2011 às 17h35.

Por mais de 30 meses, o dólar perdeu gradualmente valor frente ao real, mas subitamente, entre o final de julho e o início de setembro, seu preço disparou de R$ 1,55 para R$ 1,96 --chegou a ficar acima de R$ 1,80 por alguns dias.

Os fatores que explicam essa disparada das cotações são complexos e misturam circunstâncias externas e domésticas.

A explicação mais simples para essa trajetória pode ser resumida a uma frase: o mundo se tornou um lugar (ainda) mais arriscado.

E quando o nível geral de risco aumenta, os investidores trocam a ganância pela cautela: fogem das ações e correm para os "portos seguros" tradicionais --o ouro e o dólar.

A commodity metálica é historicamente um refúgio em momentos de incerteza. E a divisa americana é a moeda dos ativos mais seguros do planeta, na opinião geral dos mercados: os títulos do Tesouro dos EUA.

Além da crise mundial, a especulação com o dólar também teve um papel importante, junto com as medidas tomadas pelo governo para o mercado de câmbio, dizem analistas do setor financeiro.

GRÉCIA

Quem acompanha o noticiário econômico sabe que o país mediterrâneo sempre foi um dos mais sérios candidatos a anunciar um calote de seus compromissos financeiros, devido à dimensão dos rombos em suas contas nacionais.

Apesar da importância periférica de sua economia para a Europa, a suspensão dos pagamentos por esse país teria efeitos drásticos para o sistema bancário desse continente. Vários bancos europeus têm capital aplicado em títulos emitidos pelo governo grego e teriam perdas pesadas em uma eventual moratória.

Outros países problemáticos do velho continente também seriam prejudicados, fatalmente. Em um ambiente de desconfiança generalizada sobre a capacidade das nações europeias em saldar suas dívidas, os títulos emitidos por Portugal e Espanha, por exemplo, perderiam valor, o que agravaria ainda mais a situação dos bancos.

Entupidos de ativos agora desvalorizados, os bancos veriam sua capacidade de emprestar e tomar emprestado bastante prejudicada. Com os bancos desmobilizados, empresas e consumidores teriam ainda mais dificuldades no acesso ao crédito e a zona do euro poderia mergulhar em uma nova recessão.

QUEDA DOS JUROS

O Banco Central brasileiro surpreendeu o mercado financeiro ao reduzir os juros básicos do país de 12,50% ao ano para 12%, em 31 de agosto.

Era consenso entre economistas de bancos e corretoras de que esse processo seria mais lento. A partir daquela data, o cenário prospectivo mudou: o novo consenso aponta para outras quedas drásticas dos juros, trazendo a chamada taxa Selic para 11% no final deste e ano e provavelmente para 10,5% no início de 2012.

O novo cenário força mudanças na forma como grandes detentores de capital, como bancos e "hedge funds", aplicam seu dinheiro: em vez de apostar na queda, começaram a se posicionar tendo em vista o aumento das taxas de câmbio.

Afinal, o que atrai o capital estrangeiro para o país, entre outros motivos, é a diferença entre os juros domésticos (que são muito altos) e externos (muito baixos). E se os juros brasileiros começaram a cair, portanto, torna-se razoável contar com uma alguma redução do fluxo de divisas.

ESPECULAÇÃO

Alguns especialistas afirmam que parte das medidas governamentais em relação ao câmbio contribuíram decisivamente para a alta recente das cotações.

Preocupado com a queda livre das cotações, a equipe econômica tomou iniciativas para restringir a especulação com a moeda, mirando principalmente o mercado futuro da BM&F.

É nesse mercado que os grandes investidores podem fazer "apostas" na alta ou na baixa do dólar. Mas ao restringir a especulação, quando o preço da moeda estava caindo, o governo pode ter criado efeitos colaterais quando o preço da moeda passou a subir.

Profissionais do setor financeiro argumentam que, na hora em que o cenário provável mudou --de dólar em baixa e juros altos para dólar em alta e juros em queda-- ficou difícil para muitos mudarem a direção de suas apostas, já que havia ficado mais caro (e mais arriscado) especular com a moeda.

 

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