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Federação diz que greve dos Correios não acaba hoje
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CAROLINA SARRES
DE BRASÍLIA
A paralisação dos funcionários dos Correios não deverá acabar nesta quinta-feira, afirmam os grevistas.
De acordo com José Gonçalves de Almeida, diretor da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios, Telégrafos e Similares), qualquer proposta feita pela empresa deverá ser discutida com os demais sindicatos de trabalhadores, em assembleia que deverá ser realizada nesta sexta-feira.
Presidente dos Correios acredita em acordo ainda hoje
A greve já completa 16 dias e cerca de 23% dos funcionários estão parados.
Na manhã desta quinta, o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, disse acreditar que as partes entrarão em acordo ainda hoje.
Pinheiro teve encontro no Ministério das Comunicações após o bloqueio da entrada da sede dos Correios, em Brasília, feita pelos grevistas em assembleia.
O diretor da federação informou ainda que será emitido hoje, pela direção nacional da Fentect, comando para que os sindicatos filiados mantenham a paralisação até segunda ordem.
De acordo com Amanda Gomes Corcino, presidente da Sintect-DF (Sindicato dos Tabalhadores dos Correios e Telegrafos do Distrito Federal), cerca de 500 pessoas se reuniram no térreo da sede dos Correios e bloquearam a entrada dos funcionários.
"Nós tomamos a entrada do prédio e só liberamos quando a empresa nos chamou para negociar", disse a presidente.
Houve ameaça de confronto entre grevistas e policiais militares, mas ninguém ficou ferido.
DESACORDO
Os principais pontos de discórdia entre os Correios e os grevistas na reunião foram sobre duas questões.
A primeira, sobre o pagamento dos dias parados --os funcionários propõem que não haja desconto e comprometem-se a trabalhar nos finais de semana e em fazerem hora extra para compensar a carga acumulada.
Os Correios querem descontar os dias de greve e propuseram, na reunião desta quarta (28), o parcelamento do desconto sobre esses dias.
A segunda, sobre o aumento salarial linear -- a Fentect quer incremento de R$ 200, a ser pago a partir da data base de 1º de agosto; os Correios propõem aumento de R$ 50, a partir de janeiro de 2012.
A definição de um piso salarial -- os trabalhadores recebem R$ 807 e querem R$ 1.635, aumento de mais de 50% --, o valor do tíquete alimentação -- os grevistas propõem R$ 28, os Correios aceitaram R$ 25 --, e a contratação de novos funcionários concursados são outros pontos em que não há acordo.
PREJUÍZOS
O presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, nesta segunda-feira (26), estimou que a empresa sofra prejuízo de R$ 20 milhões diariamente por causa da greve.
Ele ainda afirmou que serão necessários cerca de três dias de trabalho para colocar em dia as entregas atrasadas pela greve dos funcionários.
A estimativa é que 95 milhões de objetos estejam com a entrega atrasada --o que corresponde a 35% do total acumulado. No último fim de semana foi realizado um mutirão para tentar amenizar os impactos do movimento.
De acordo com os Correios, o mutirão resultou na entrega de 9,4 milhões de correspondências.
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