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Dólar fecha a R$ 1,88 em dia tenso e acumula alta de 18% no mês
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EPAMINONDAS NETO
DE SÃO PAULO
Atualizado às 16h58.
O pessimismo a respeito da crise europeia falou mais alto na última rodada de negócios deste mês, contribuindo para derrubar as Bolsas de Valores e puxar a taxa de câmbio para o segundo maior pico deste ano.
Usado para as importações e exportações, o dólar comercial foi negociado por R$ 1,884, em forte alta de 2,16% no dia. Já o dólar turismo foi vendido por R$ 2,00 (aumento de 2,56%) e comprado por R$ 1,800 nas casas de câmbio paulistas.
A taxa de câmbio teve em setembro uma variação comparável aos piores meses de 2008, quando eclodiu a crise mundial: 18%, ainda maior que a disparada de 16% registrada em setembro daquele ano. Na verdade, é preciso recuar até setembro de 2002 para ver o dólar subir com tanta força num só mês: naquele período, o valor da moeda ascendeu quase 25%.
Com a oscilação brusca de setembro, a variação anual dos preços deixou de ser negativa, tendo uma alta acumulada de 13%.
Ainda operando, a Bovespa sofre perdas de 2,20%, aos 52.212 pontos. O giro financeiro é de R$ 5,32 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York cai 2,39%.
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O Banco Central deve intervir para controlar a nova alta do dólar?
O último dia útil do mês sempre tem uma volatilidade atípica para o câmbio, devido à "guerra pela Ptax" travada por grandes agentes financeiros.
A Ptax é a taxa média de câmbio calculada diariamente pelo Banco Central, e que tem um papel chave para o mercado futuro de dólar, instalado na BM&F: a última cotação do mês serve de referência para a liquidação dos contratos onde bancos e fundos estrangeiros travam suas apostas na alta ou na baixa da divisa americana.
Hoje, os agentes que apostaram na alta tiveram força suficiente para puxar a cotação, ao contrário dos meses anteriores, onde os "vendidos" (que ganham com a baixa) predominavam.
Mas a preocupação com o cenário mundial e o "default" iminente da Grécia também ajudou. Na verdade, profissionais do setor financeiro avaliam que a taxa até poderia subir mais, se não houvesse a possibilidade de intervenção do Banco Central no horizonte. Na semana passada, quando o dólar bateu R$ 1,95, a autoridade monetária vendeu dólares (no mercado futuro).
"O Banco Central tem as armas [para conter a alta do dólar] e o mercado sabe o quanto de munição que ele dispõe", sintetiza Felipe Pellegrini, gerente da mesa de operações do banco Confidence. "Mas o que importa é o que está acontecendo lá fora. Se realmente houver um 'default' da Grécia, o mercado pode passar por um novo período de estresse", acrescenta.
Ele não descarta, porém, que a taxa de câmbio também possa corrigir para baixo, pelo menos no curto prazo: uma boa notícia, como uma nova ajuda dos organismos internacionais para ajudar as finanças gregas pode dar algum alívio, ainda que temporário, para os mercados.
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