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03/10/2011 - 21h13

BNDES aprova garantias da PDVSA em refinaria da Petrobras

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LEILA COIMBRA
DO RIO

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou parcialmente a sociedade entre a Petrobras e a estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela) na refinaria Abreu e Lima (PE), um investimento de R$ 26 bilhões.

A PDVSA conseguiu aval do banco com relação às garantias bancárias apresentadas para assumir 40% do financiamento de R$ 10 bilhões. O crédito foi dado somente à Petrobras em 2009, para o início das obras.

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A sinalização positiva do BNDES permite que a PDVSA dê um primeiro passo para assumir 40% da refinaria. Mas não significa que a parceria está selada: a aprovação final do BNDES está "condicionada à apresentação de outros instrumentos que formalizarão as garantias em termos satisfatórios ao BNDES", segundo nota da Petrobras divulgada nesta segunda-feira. A empresa não detalhou que instrumentos são esses.

Para fechar o acordo, a PDVSA precisa entregar toda a documentação pendente e injetar dinheiro próprio no projeto até o dia 30 de novembro.

A sociedade entre as duas petrolíferas na refinaria foi celebrada em 2005, antes da descoberta do pré-sal brasileiro, em 2006. Na época, os presidentes Lula e Chávez fecharam o acordo prevendo a utilização de petróleo venezuelano.

Mas a Petrobras acabou tocando sozinha o projeto e a refinaria atualmente está preparada para processar o petróleo brasileiro do Campo de Marlim, da Bacia de Campos, e não o óleo de Carabobo, na Venezuela, conforme previsto originalmente.

Para receber o petróleo mais pesado do país vizinho, seria necessário um investimento extra de US$ 400 milhões (cerca de R$ 688 milhões) em uma planta de redução de enxofre.

Daniel Marenco - 23.fev.11/Folhapress
Canteiro de obras da refinaria Abreu e Lima, no complexo portuário de Suape, em Pernambuco
Canteiro de obras da refinaria Abreu e Lima, no complexo portuário de Suape, em Pernambuco

CRÍTICAS

Na semana passada, o acordo chegou a ficar por um fio e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez duras críticas à Petrobras. Ele acusou setores da empresa de sabotar as tentativas de acordo com a estatal de seu país.

Chávez foi ainda além: disse que executivos da Petrobras menosprezavam a Venezuela em reuniões bilaterais e também culpou a empresa pelo estancamento das discussões sobre o gasoduto do sul, que cortaria o continente de norte a sul, um projeto caro para o esquerdista.

O presidente explicitou também sua contrariedade pela decisão da petroleira brasileira de não explorar a faixa do Orinoco, a maior reserva de petróleo do mundo. A participação brasileira era uma das contrapartidas para o investimento da PDVSA em Pernambuco.

A refinaria Abreu e Lima está em construção no porto de Suape, em Pernambuco, e tem previsão de início das operações em 2012, quando processará 230 mil barris de petróleo por dia, cerca de 11% da capacidade atual de refino de petróleo no Brasil.

 

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