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01/04/2012 - 20h34

Após dois anos, África do Sul ainda paga conta de estádios

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INARA CHAYAMITI
MARIANA BARBOSA
ENVIADAS ESPECIAIS À ÁFRICA DO SUL

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Quase dois anos depois da Copa do Mundo de 2010, a África do Sul ainda não sabe o que fazer para tornar viável parte de seus estádios.

Os "elefantes brancos", como têm sido chamados, ainda dependem de dinheiro público para se manterem.

O estádio da Cidade do Cabo, que custou R$ 1 bilhão, ainda precisa da ajuda da prefeitura para manter o gramado verde. O custo de manutenção é de R$ 15 milhões por ano. "Temos mais de um evento por mês. Não é suficiente", lamenta Lesley de Reuck, diretor do estádio Cape Town.

Outro exemplo de "elefante branco" é o estádio Mbombela, que fica na cidade de Nelspruit, a 350 km de Johannesburgo.

A infraestrutura, cuja construção custou pouco mais de R$ 236 milhões, consome R$ 236 mil por mês em manutenção.

"Não temos grandes times de futebol na cidade. Mas temos muito mais do que jogos. Temos uma média de 40 eventos por ano", explica o gerente do estádio Roelf Kotze, contabilizando até mesmo casamentos e pequenos eventos realizados na área do estacionamento.

Jatos de água funcionam o dia todo para manter verde o gramado. Mas a água não chega na torneira da casa do aposentado Joseph Ndlovu, que do outro lado da rua. "Prometeram que, se construíssem o estádio, iriam construir casas boas e uma universidade aqui perto. Dez anos já se passaram e ainda estamos esperando".

O custo total dos estádios foi de R$ 5 bilhões. "Disseram que custaria R$ 600 milhões. É um aumento de 1.700%. Agora estamos subsidiando de novo para tentar tornar isso sustentável. Isso não é um bom investimento", critica Dale T. McKinley, coautor de "South Africa's World Cup: A Legacy for Whom?" (Copa da África do Sul: Um Legado para Quem?, em tradução livre).

PROMESSAS

"Quando a África do Sul marcou seu primeiro gol, corri até o bar porque disseram: 'quando a África do Sul marcar seu primeiro gol, cada um vai ganhar uma cerveja grátis'. Isso é o que me restou da Copa do Mundo", conta a desempregada Jo-Ann Bonita Cupido, exibindo um copo de plástico rachado e desbotado.

Segundo Jo-Ann, ela e outros 280 moradores de rua foram retirados da região do estádio da Cidade do Cabo e levados à Blikkiesdorp, conhecida como "favela de lata", antes da Copa do Mundo.

"A polícia nos tirou das ruas. Não queríamos vir, mas nos forçaram porque estrangeiros chegavam para a Copa.", explica Veronica Allie, também desempregada.

Os moradores de Blikkiesdorp, a 30 km da cidade, afirmam que a prefeitura prometeu construir casas para eles. "Era melhor ter ficado nas ruas do que ter vindo para cá. Algumas noites durmo sem comida", diz Veronica que não consegue mais mendigar nas ruas da cidade por causa da distância.

Além da fome, os moradores de Blikkiesdorp reclamam da violência. "Estupraram uma mulher no meu quintal. Eles vêm até a sua porta no meio da noite. Eles querem estuprar", conta a Nasieba Ramadaan, que na ausência do marido, que está preso, dorme com uma faca na mão para se proteger. Os mordores também relatam que há homicídios na área.

CONSELHO

Para Lesley de Reuck, que foi diretor de operações da Cidade do Cabo durante a Copa, a África do Sul errou ao não focar em programas de desenvolvimento social para o pós-Copa. "O Brasil tem os mesmos problemas sociais, então é algo que deveria ser pensado antes do evento", afirma.

"Outra lição que o Brasil pode aprender é que deve-se haver o máximo de transparência nos acordos com a Fifa. Não deixe seu amor pelo futebol, sua paixão pelo jogo, ofuscar o debate racional que deve ocorrer sobre como o dinheiro é gasto", aconselha McKinley.

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