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Coro anti-Dilma e coxinha de ossobuco recheiam festas de 'yellow blocs'; veja

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Mariana Jorge, mulher de Seu Jorge, avisa: "Estou diet, entendeu?". Não quer nem pensar na coxinha com recheio de ossobuco servida à plateia que foi assistir ao jogo entre Brasil e México no bar Karavelle (um dos sócios é seu marido), nos Jardins, em São Paulo.

Já na garganta Mariana leva entalada a indignação com a presidente da República. Para ela, a vaia recebida por Dilma Rousseff na estreia da Copa foi mais do que merecida. "Uma manifestação espontânea e incontrolável. O que você faz você recebe", diz.

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"Multirreligiosa", Mariana cita o budismo e o hinduísmo para explicar que o carma de Dilma está carregado. Acha que o país precisa de "educação em primeiro lugar".

No pescoço, colar H.Stern com um pingente do orixá Oxóssi. Nos pés, tênis Nike. Idade: "Põe aí n/d, nada a declarar".

A atriz Anny Buainain, 26, formada na PUC e moradora da Vila Nova Conceição, também não engole a atual gestão. "O Brasil tem que aprender mesmo a mandar a Dilma tomar no c... Ela não me representa. Tá difícil algum partido me representar", afirma por trás de seus óculos Gucci.

Questionada sobre a fonte de seu incômodo, cita "descaso com a população" e com "a saúde e a educação". "O mais importante do protesto", diz enquanto fuma um cigarro no terraço coberto da casa, "é o fundamento do pensar".

Anny é uma das convidadas VIP da festinha promovida por uma revista de moda no terraço do espaço de três andares. Ganhou camisa do Brasil com o logo da grife 2nd Floor e um apito dourado para torcer pela seleção -"um gift, um regalinho", como define.

Com tênis de oncinha para deixar o "look afro" a seus pés, o estilista Walério Araújo, 44, acha que "95% dos brasileiros literalmente vestiram a camisa" pelo Brasil, apesar dos "arrastões e protestos".

Mas não engrossa o coro anti-Dilma que ressoou pelo Itaquerão na abertura do Mundial. "Só mando tomar [no c...] se é para retribuir um carinho." Para ele, que veste literalmente um blusão com o logo da CBF, se é "churrasco na laje ou caviar no terraço", tanto faz.

Além da coxinha gourmet, dadinhos de tapioca estão no cardápio, assim como uma roda de samba liderada por seu Jorge -no repertório, "Tiro ao Álvaro" e "Chega de Saudade".

Abraços e beijinhos e tacinhas de champanhe Chandon sem ter fim para o público. Caipirinhas de kiwi e cervejas Karavelle também estão entre os bebes no bar de mesmo nome, na alameda Lorena. Quem não ganhou passe livre como "Very Important People" pagou R$ 300 pela pulseirinha roxa, que garantia o open bar na tarde.

Foi o caso da advogada Angela Cristina Picinini, 44, que pagou para ver o zero a zero entre as seleções latino-americanas. Ela fuma um cigarro na calçada após o placar sem brilho, ao contrário de sua blusa de lantejoula, que simula a bandeira do Brasil.

A vitória do Brasil contra a Croácia foi mais emocionante do que o jogo desta terça (17) por dois motivos, acredita: a virada no placar (3 a 1) e a vaia à presidente. "Foi melhor ainda."

Angela critica o campeonato em que "a Fifa não pagou R$ 1 de imposto", mas conta que não consegue torcer contra o time de Scolari. "Apesar de não acreditar muito, de achar que a Copa tá comprada, a gente torce, né, fazer o quê?"

Por exigência contratual, a Fifa pedia isenção de impostos nos países que sediam a Copa. O mesmo aconteceu nos últimos Mundiais, na África do Sul e na Alemanha.

NA CASA PELÉ

Já no estádio do Morumbi, onde foi montada a Casa Pelé, uma parceria da Brahma com Pelé, o Rei era realmente o único VIP do local. Isso porque quem pagou até R$ 1.000 pelo acesso ao camarote não sabia que teria a companhia de quase 4.000 pessoas no local "exclusivo". E nem que teria que pagar para comer e beber.

"Hoje em dia no Brasil a única coisa que é de graça é o oxigênio", afirma Alvaro Garnero. O empresário e apresentador de TV, que não desembolsou nem R$ 1 para entrar o local, tenta justificar dessa maneira o fato de a área VIP cobrar por bebida e comida, fato raro nesses ambientes.

"Você tem que ver que a qualidade compensa, tem show. O Brasil virou o país mais caro do mundo", diz, enquanto o "tuntz tuntz" da música eletrônica já dominava o ambiente após o fim da partida.

Garnero, que estava na abertura da Copa no Itaquerão, achou um "horror" os xingamentos a Dilma Rousseff. "Ela é uma chefe de Estado. Se as coisas não estão indo bem, não é pelo xingamento. Tem que ter educação. E educação vem acima de tudo. Eu não gostei."

Amigo de Garnero e frequentador assíduo de espaços VIP, Ricardo Mansur Filho, o Rico, também participou in loco do primeiro jogo do Mundial no Brasil. Escutou as hostilidades, "claro", mas afirma que não xingou porque não faz parte de seu comportamento. "Eu tava me importando mais era o momento que na minha vida eu tava vivendo ali, era 'once in a lifetime'."

CADÊ O OPEN BAR?

As amigas Bruna Angotti, 26, Ada Jaala, 24 e Nayara Neves de Oliveira, 23, não acharam caro pagar R$ 1.000 cada uma para assistir ao jogo no espaço e ver os shows de Bell Marques, ex-Chiclete com Banana, e do DJ Fatboy Slim. Mas estavam revoltadas por terem comprado os ingressos mais caros e ainda assim pagar R$ 30 a dose de uísque e R$ 20 uma porção de pastel ou batata frita.

Enquanto o segundo tempo do jogo rolava, elas nem olhavam para os telões. "Nem estou acompanhando. A gente veio curtir. Mas aí chegamos aqui e não tínhamos uma mesa reservada, não é open bar. Achamos que seriam 200 pessoas e são 4.000. E quem pagou R$ 150 ou R$ 1.000 tá no mesmo lugar. É uma palhaçada", diz a psicóloga Bruna.

Logo as três se acalmariam ao serem avisadas de que um dos amigos do grupo havia pagado mais R$ 10 mil por uma mesa com direito a R$ 2.000 de consumação.

O bancário Victor Calabria, 27, desembolsou R$ 270 para estar ali. Não achou justo o valor, "mas é o preço de hoje em dia". Ele defende quem opta por assistir a um jogo da Copa neste ambiente, em vez de, por exemplo, ir à Fan Fest no vale do Anhangabaú, "onde posso levar uma facada no baço".

"Estamos em um país onde não tem segurança nenhuma. Morei na Itália e lá, mesmo com todos problemas, você tem praça pra ver o jogo. Aqui nem isso conseguimos. Você está num ambiente que é top, high society, e mesmo assim estamos enfrentando problema de banheiro, de comprar ficha. Você paga muito e tem retorno baixo, é o mesmo que acontece com educação e saúde."

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