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28/06/2011 - 07h05

Conheça Dom Alberto, o "colunista social" dos bolivianos em SP

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FELIPE GUTIERREZ
COLABORAÇÃO PARA A REVISTA sãopaulo

Veja vídeo

Ele frequenta todos os eventos onde possam estar seus conterrâneos --de discussões sobre a condição socioeconômica dos imigrantes na Câmara Municipal a casamentos, batizados e festas típicas do país. Alberto Apaza, ou Dom Alberto, 70, como prefere ser chamado, é o principal fotógrafo da comunidade boliviana em São Paulo.

Os compatriotas já sabem que, no domingo, as imagens estarão à disposição na barraca dele na feira da Kantuta, ponto de encontro do grupo no bairro do Pari (região central).

No estande de Dom Alberto, os clientes podem consultar os cerca de 30 álbuns que ele expõe. Cada volume corresponde a um período de uma ou duas semanas. Eles perguntam onde estão as imagens de um determinado evento, e o fotógrafo dá nas mãos deles um dos calhamaços amarrados com barbantes.

Um boliviano de 25 anos, que já o conhece há três, conta que a barraca também funciona como uma coluna social. Lá, os imigrantes descobrem quais amigos e parentes estavam nos últimos eventos, com quem foram e como estavam vestidos. Mas não necessariamente compram fotos, e, por isso, o movimento não indica grande volume de vendas.

Cada foto sai por R$ 4. Dom Alberto vende entre cem e 120 aos domingos, o que rende de R$ 400 a R$ 500. Mas os custos são altos, ressalta. O táxi do prédio dele, em Higienópolis (zona central), até a feira no Pari custa R$ 80, ida e volta. A organização da Kantuta cobra uma mensalidade de R$ 70. Para revelar cada fotografia, paga R$ 0,50. Ele ainda usa câmera analógica, com filme, mas pretende comprar uma digital --está tentando juntar R$ 3.500 para trocar de máquina.

Alguns dos clientes de Dom Alberto dizem que até têm suas próprias câmeras, mas preferem não levá-las aos eventos para poder aproveitar as festas e dançar sem se preocupar.

Eles costumam mandar as fotos que compram para os parentes na terra natal. "Bolivianos sempre saíram do país. Meus pais e meus irmãos ficaram lá", conta Dom Alberto, que chegou em São Paulo, em 1962, sozinho, aos 21 anos, e arrumou emprego em uma padaria no centro.

Quando um amigo dele, fotógrafo, vendeu-lhe câmeras que não usava mais, Dom Alberto começou a carreira de lambe-lambe. No início, só clicava brasileiros. "Comecei oferecendo meu trabalho na rua e nos bares. Fui para o Museu do Ipiranga e fiquei dez anos lá registrando os visitantes", diz.

Maria de Carvalho, baiana, era uma dessas visitantes. Contratou o serviço de Dom Alberto depois que o conheceu melhor e, em 1970, casou-se com o fotógrafo, com quem tem seis filhos e quatro netas. A filha Helena Apaza, 27, diz que o trabalho dele era comum na São Paulo de antigamente, mas que está acabando. "Eu não conheço ninguém que faça o que ele faz", diz.

Dom Alberto começou a clicar os bolivianos na década de 1970. "Naquela época, um outro fotógrafo era o mais famoso da comunidade. Agora 'soy yo' na ativa", brinca.

Os eventos continuam os mesmos daquela época. As danças --morenadas, caporales, tinkus-- não mudaram. "Só 'agrandou'. Antigamente, eram dez, 20 pessoas. Hoje tem 80, cem. E as vestimentas 'cambiaron' um pouquinho."

 

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