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PM separa 70 brigas de trânsito por dia; veja relato de motorista 'brigão'
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ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO
Imagens e Edição: André Felipe
O corretor de seguros Gilberto, 45, deu uma bronca em um motorista de táxi que lhe cortou a frente. Ao ouvir um atravessado "não reclama porque você ainda está vivo", não pensou duas vezes. Partiu para a briga.
"Quase matei o cara. Sabe aquele desenho do Walt Disney da década de 50? O Pateta motorista que se transforma dentro do carro? Aquele sou eu. Eu viro um monstro. Entro no carro, respiro fundo e digo: 'Hoje nada vai me afetar'. Eu viro a esquina e já estou xingando alguém'."
O problema de Gilberto, que buscou tratamento após perder a conta do número de brigas que se envolveu no trânsito, está cada vez mais comum nas ruas da capital. E quem diz isso não são os médicos, mas a polícia.
Todos os dias, segundo a Polícia Militar, entre os 35 mil chamados há, em média, 70 para atendimentos de brigas de trânsito na capital. Uma média de um chamado a cada 20 minutos.
Parte dos desentendimentos e das agressões ocorre após pequenos acidentes, sem vítimas. Outra parte, porém, segundo a PM, é fruto da disputa entre motoristas por espaços das ruas e avenidas da capital, cada vez mais entupidas de veículos.
"Uma buzinada no semáforo. Um carro quer passar e o outro não deixa. Tudo isso pode ser motivo para um xingamento, um gesto obsceno, e dar início a uma briga", diz o porta-voz do comando da PM na capital, capitão Cleodato Moisés do Nascimento.
Para a psicóloga Liliana Seger, parte dos motoristas não tolera ter sua frente "roubada" numa fila e vê essa ação até como um deboche. "Ele entende: 'eu sou esperto e você é bobão'."
Para o gerente de produto Breno Lopes, 31, foi um sentimento assim que o fez instalar uma buzina náutica no veículo e a andar com uma lanterna comprida, que também servia de cassetete, no banco de trás por um tempo.
"Eu não gosto de gente espertona, de Gersons", disse ele que não chegou a brigar fisicamente, mas já foi ameaçado por motorista armado.
Dos desentendimentos, explica o capitão, mais de 50% envolve motociclistas.
O motorista Josias de Oliveira, 39, está nessa lista. No início do ano, conta, estava em um semáforo quando, de repente, um motoqueiro chutou a porta do seu carro.
"Eu abaixei o vidro e perguntei se ele estava maluco. Ele disse: 'É isso mesmo, João'. Eu parti para cima dele. Quando vi, tinha uns 15 motoboys e umas 50 pessoas me olhando", diz Josias, que se desvencilhou da situação com a ajuda de um motoboy.
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