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08/11/2011 - 08h14

Parlamento italiano realiza votação decisiva para Berlusconi

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O premiê italiano, Silvio Berlusconi, enfrenta nesta terça-feira uma votação crítica no Parlamento para seu futuro político, sendo que, segundo a imprensa local, ele não tem garantida a maioria dos votos.

A votação-chave sobre o Orçamento, em meio ao temor de que o país seja a próxima vítima da crise na zona do euro, pode indicar se Berlusconi, que já sobreviveu a mais de cinquenta votos de confiança, de acordo com a BBC, mantém ou não o apoio da maioria parlamentar.

Durante o fim de semana, ocorreram deserções da base do primeiro-ministro, o que fez pessoas próximas a Berlusconi concluírem que as contas do Estado não serão aprovadas, segundo o jornal espanhol "El País".

Um parecer negativo no Parlamento pode fazer com que Berlusconi se veja obrigado a renunciar. Ele enfrenta grande pressão e perdeu o apoio de parte da bancada governista em meio à crescente crise política e econômica que ameaça desestabilizar ainda mais a economia europeia.

Georges Gobet/France Presse
O premiê italiano, Silvio Berlusconi, durante encontro de chefes de Estado da zona do euro domingo, em Bruxelas
O premiê italiano, Silvio Berlusconi, durante encontro de chefes de Estado da zona do euro domingo, em Bruxelas

Em meio às incertezas no país, a nota de risco da Itália alcançou hoje um novo pico histórico, com 495 pontos básicos, chegando a níveis inacessíveis para o financiamento da economia nacional com normalidade.

Além disso, o rendimento dos bônus italianos decenais também marcou um novo recorde ao alcançar 6,74%. A Bolsa de Milão, que ontem disparou com o rumor da queda do premiê, voltou a abrir em alta nesta sessão.

A situação ocorre em meio à pressão para Berlusconi se afastar e dar lugar a um governo que possa implementar o plano de ajuste prometido a Bruxelas e que parece se mover para a frente.

Apesar de ter um deficit relativamente baixo, a Itália causa preocupações entre os investidores, com uma combinação de baixo índice de crescimento e uma dívida de 1,9 trilhão de euros.

O premiê italiano deve decidir se continua à frente do governo ou apresenta sua renúncia após saber com quantos deputados pode contar na votação sobre as contas do Estado.

Segundo a imprensa italiana, Berlusconi "quer ver com seus próprios olhos quem são os traidores". A afirmação foi feita ontem à noite após uma reunião com os membros de seu partido.

PRESSÕES EXTERNAS

Em meio a tal cenário, a Comissão Europeia confirmou que enviará à Itália uma missão para vigiar a implementação das reformas draconianas. "O problema da Itália é a falta de credibilidade das medidas anunciadas pelo governo para reduzir o deficit", declarou a diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde.

Virginia Mayo/AP
O comissário europeu para assuntos econômicos, Olli Rehn, em uma palestra em Bruxelas sobre a situação econômica da região
O comissário europeu para assuntos econômicos, Olli Rehn, em uma palestra em Bruxelas sobre a situação econômica da região

Após reunião ontem, os ministros de Economia da zona do euro exigiram do governo de Berlusconi o cumprimento das promessas para reduzir o deficit italiano. O comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, afirmou ainda que uma missão visitará o país nesta terça-feira para avaliar o andamento dos compromissos assumidos por Roma em 26 de outubro passado.

"O ministro italiano da Economia, Giulio Tremonti, nos garantiu sua determinação de cumprir, o quanto antes, com as medidas acertadas na carta que o mandatário italiano Silvio Berlusconi entregou a seus homólogos europeus em 26 de outubro", disse Rehn.

Mais cedo, Rhen disse que a Itália precisa jogar o "catenaccio" (estilo de futebol muito defensivo) em matéria de consolidação fiscal. "É essencial que a Itália cumpra com suas metas fiscais, assegure a implantação das medidas e intensifique reformas estruturais que reativem o crescimento", destacou.

PREMIÊ NEGA

Berlusconi negou que estaria prestes a renunciar. "Os rumores de minha renúncia são infundados", disse ele em sua página no Facebook.

O chefe do bloco de deputados do partido governista PDL também negou a possibilidade de renúncia. "Falei há um instante com o presidente [do Conselho] Berlusconi, que me disse que os rumores sobre sua demissão não têm nenhum fundamento", afirmou.

Fontes políticas disseram que, numa reunião na noite de domingo, líderes de seu partido PDL exortaram Berlusconi a demitir-se, mas ele não fora convencido.

Alessandro di Meo/Efe
O primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi (ao centro), durante anúncio de pacote para reduzir a dívida do país
O primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi (ao centro), durante anúncio de pacote para reduzir a dívida do país

Berlusconi e seus assessores mais próximos passaram o fim de semana tentando reconquistar o apoio suficiente de deputados para evitar uma derrota nesta terça-feira, em uma votação para confirmar um projeto de financiamento do Estado, que ele já perdeu uma vez, no início de outubro.

Como a oposição anunciou que poderá se abster na votação, o premiê poderia apresentar sua demissão ao presidente George Napolitano.

A situação do governo italiano piorou depois que uma das deputadas consideradas mais fieis a Berlusconi, Gabriella Carlucci, anunciou sua saída do PDL. Com ela, chega a 20 o número de deputados que anunciaram que não apoiarão o governo na votação na Câmara dos Deputados, deixando o Executivo em minoria.

Editoria de Arte/Folhapress
 

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