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Na Itália, Congresso deve antecipar lei para que Berlusconi saia até segunda
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Os congressistas italianos devem aprovar ainda durante o fim de semana a Lei de Estabilidade, que na prática colocará em vigor as medidas de austeridade exigidas pela União Europeia, condição para que o premiê Silvio Berlusconi deixe oficialmente o poder, informa a imprensa italiana.
Veja imagens da carreira política do premiê
Berlusconi anuncia renúncia ao cargo na Itália; veja perfil
A lei contém as medidas exigidas para garantir a estabilidade financeira e reduzir a enorme dívida pública do país, que atualmente corresponde a 120% do PIB (€ 1,9 trilhão).
De acordo com o jornal "Corriere della Sera", a pressão da oposição para acelerar a saída de Berlusconi parece estar dando certo até o momento, já que cresce entre o Senado e a Camâra a previsão de que duas sessões extraordinárias, neste sábado (12) e domingo (13), sejam suficientes para colocar em vigor a nova legislação.
A ideia é que as medidas comecem a ser apreciadas pelo Senado logo no início da sessão de sábado, para que sejam enviadas já durante a tarde para a Câmara, onde o texto só será votado no dia seguinte.
Uma vez concretizada, a aprovação da lei será o "último ato antes da demissão de Silvio Berlusconi", diz o jornal.
O presidente da Câmara, Gianfranco Fini, também prometeu rapidez e indicou que é do interesse nacional da Itália que na abertura dos mercados na segunda-feira pela manhã o país já tenha as medidas aprovadas.
O presidente do Senado, Renato Schifani, também apelou aos parlamentares para que mostrem disposição em aprovar a legislação antes de segunda-feira.
PRESIDENTE
Mais cedo, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, já havia antecipado que as medidas exigidas à Itália pela UE serão aprovadas "em poucos dias" e que, em seguida, o premiê Silvio Berlusconi deverá renunciar.
Napolitano informou, em comunicado, que os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, junto com a oposição e a maioria governamental, concordaram em submeter "em poucos dias" a votação da lei.
Napolitano anunciou que não existe "incerteza" alguma sobre a renúncia de Berlusconi, anunciada na véspera, a qual será apresentada assim que as medidas forem aprovadas, o que deve acontecer antes de domingo, segundo fontes parlamentares.
"Ante a pressão dos mercados financeiros sobre os títulos do Estado italiano, que chegou a níveis alarmantes, há que se dissipar todo equívoco ou incompreensão", anunciou Napolitano, preocupado com a alta da nota de risco do país, que disparou nesta quarta-feira para 555 pontos, alcançando um nível recorde.
| Mario De Renzis/Efe | ||
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| Giorgio Napolitano participa de cerimônia no palácio de Quirinale, em Roma, após anúncio da demissão do premiê |
O presidente afirmou ainda que na Itália não haverá um "prolongado período" de inatividade governamental ou parlamentar, depois que a incerteza no mercado secundário levou os bônus italianos a dez anos a superar nesta quarta a barreira dos 7% de rentabilidade.
"Imediatamente e com rapidez serão consultadas as partes para solucionar a crise e portanto em breve será formado um novo governo ou se dissolverá o Parlamento para dar início a uma campanha eleitoral que terá que ser celebrada também em um prazo curto", diz a nota da Presidência.
O anúncio da renúncia de Silvio Berlusconi, feito na terça-feira em meio à tormenta econômica que atinge a zona do euro gerou nesta quarta um clima de incerteza política na Itália e não conseguiu acalmar a desconfiança dos mercados.
VOTO DE CONFIANÇA
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou nesta quarta que o pacote de medidas econômicas para diminuir o deficit público do país não devem passar por um voto de confiança no Parlamento.
"Conversei com o presidente da República [Giorgio Napolitano] para que, junto com os presidentes da Câmara [dos Deputados, Gianfranco Fini] e do Senado [Renato Schifani] peça a aceleração dos trabalhos de aprovação", informou o premiê.
Berlusconi também disse que fará um apelo à oposição para que aprove as medidas, chamadas de Lei de Estabilidade e que reúnem recomendações da União Europeia.
RENÚNCIA
Também nesta quarta-feira O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que não voltará a se candidatar nas próximas eleições, previstas para fevereiro de 2012, segundo entrevista publicada no jornal local "La Stampa".
"Não vou disputar o gabinete", afirmou Berlusconi, depois de anunciar que deixará o cargo assim que a lei de reforma econômica for aprovada. "Chegou a hora de [Angelino] Alfano, ele será nosso candidato. Ele é realmente bom, melhor que qualquer um pode pensar, e sua liderança é aceita por todos".
Alfano, ex-ministro da Justiça do governo de Berlusconi, é atualmente secretário-geral do PDL (Povo da Liberdade), e seu nome poderia receber um apoio relativamente grande para liderar um governo de transição no qual entraria a oposição centrista.
"Antes devemos dar respostas imediatas aos mercados. Não podemos esperar mais para adotar as medidas que decidimos; esse foi meu compromisso com a Europa e, antes de ir, quero cumpri-lo", ressaltou. "Faço um chamado a todos, maioria e oposição, para que essas medidas sejam aprovadas o quanto antes, e depois apresentarei minha renúncia".
| Vincenzo Pinto/France Presse | ||
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| O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, olha os números de votos após a aprovação das contas do Estado |
O primeiro-ministro disse que, após sua demissão, o presidente Giorgio Napolitano começará as consultas com os partidos políticos para decidir o que fazer, mas adiantou que não quer governos de união nacional ou o apoio de partidos da oposição.
Sobre a votação de ontem, o primeiro-ministro qualificou de "alucinante" o que passou. "Eles me traíram, aqueles que durante toda uma vida levei em meu coração", lamentou. O primeiro-ministro reconheceu após a votação na Câmara dos Deputados que seu governo não tem a maioria, pois conseguiu apenas 308 votos, enquanto 321 deputados não votaram.
O primeiro-ministro falou também sobre seus problemas com o ministro da Economia, Giulio Tremonti. "A relação pessoal não é ruim, mas no final ele sempre faz o que quer e só me resta tomar nota durante o conselho de ministros", reconheceu.
Sobre que fará após a renúncia, Berlusconi considerou que participará da campanha eleitoral e talvez volte a ser presidente do Milan.
| Arte/Folhapress | ||
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