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Palestina diz que incêndio de mesquita é declaração de guerra
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DA EFE, EM JERUSALÉM
Uma mesquita foi incendiada nesta quinta-feira na aldeia de Burka, na Cisjordânia, onde foram pichadas palavras em hebraico, supostamente obra de radicais judeus. O incêndio aconteceu poucas horas depois que o Exército israelense demoliu duas construções não autorizadas em território judaico ilegal.
De acordo com as fontes municipais, os rebeldes incendiaram dois andares do prédio, danificando tapetes e cadeiras.
A ANP (Autoridade Nacional Palestina) considerou o ato uma verdadeira "declaração de guerra", informou nesta quinta-feira um porta-voz oficial. "O ataque de lugares de culto supõe uma declaração de guerra por parte dos colonos [israelenses] contra o povo palestino", afirmou Nabil Abu Rudeina, porta-voz da Presidência da ANP, citado pela agência oficial palestina Wafa.
Segundo ele, o governo israelense deve adotar medidas urgentes para conter a violência e os ataques dos radicais judeus, assim como a própria comunidade internacional. Um porta-voz do Exército israelense disse que o incidente está sendo investigado.
A imprensa local aponta que a ação pode ter sido executada por extremistas judeus, que nos últimos meses intensificaram os ataques contra propriedades palestinas e contra o Exército israelense. As ações são uma resposta à tentativa de desmantelar assentamentos judeus no território ocupado da Cisjordânia.
Horas antes do incêndio, forças do Exército e da polícia de Fronteiras destruíram duas construções no enclave de Mitzpe Yitzhar, após declarar o local como zona militar fechada a fim de impedir que colonos radicais judeus obstruíssem a demolição.
| Abbas Momani/France Presse | ||
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| Mulheres palestinas observam estrago causado por incêndio em mesquisa na vila de Burka |
O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, também condenou a violência dos extremistas israelenses contra propriedades e indivíduos palestinos, além da falta de punição por parte do governo israelense para conter os atos.
Em comunicado, Fayyad declarou à comunidade internacional que o Executivo israelense é o principal responsável pelo aumento da violência por parte dos colonos. Segundo os palestinos, os militares fazem uso excessivo da força para conter manifestações palestinas, enquanto não fazem nada para contornar a violência de extremistas.
"Israel não condenou nenhum dos autores destes atos, não desenvolveu investigações sérias e não mostrou interesse em levantar pesquisas apropriadas", disse em nota. "Esta política encoraja os crimes de ódio contra os palestinos e seus lugares de culto".
O Executivo da ANP afirmou ainda que mais de dez mesquitas foram atacadas ou queimadas por extremistas judeus desde 2009.
Na terça-feira, cerca de 50 colonos judeus e extremistas de direita conseguiram entrar durante a madrugada em uma base militar israelense na Cisjordânia. O grupo jogou pedras, pichou, queimou pneus, depredou carros militares e feriu um policial.
O ataque foi uma resposta aos rumores que a tropas israelenses iriam desmantelar os assentamentos na Cisjordânia em cumprimento de uma resolução do Tribunal Supremo em agosto.
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