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Campanha contra segregação de gênero ganha força em Israel
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MARCELO NINIO
DE JERUSALÉM
A campanha contra a segregação religiosa entre homens e mulheres em Israel ganhou um símbolo.
Tanya Rosenblit, 28, negou-se a ceder à pressão de judeus ultraortodoxos para que se sentasse no banco de trás em um ônibus que ia de Ashdod (sul) para um bairro religioso de Jerusalém.
Depois de relatar a experiência em sua página no Facebook, Rosenblit, judia laica, imediatamente passou a ser considerada heroína pelos israelenses contrários à separação entre gêneros.
A imprensa do país chegou a compará-la à norte-americana Rosa Parks, que, em 1955 virou símbolo da luta contra a segregação racial nos EUA ao recusar-se a ceder seu lugar no ônibus a um passageiro branco.
Na última sexta-feira, Rosenblit pegou um ônibus da linha 451, uma das muitas em Israel usadas por judeus ultraortodoxos e em que há separação voluntária entre homens e mulheres.
Pouco após sentar-se na primeira fila, Rosenblit, começou a ser xingada por judeus ultrortodoxos, que exigiram que ela passasse para o banco de trás, na parte reservada às mulheres.
Apesar dos apelos do motoristas e de policiais chamados ao local para que respeitasse os passageiros religiosos, ela manteve-se firme e o ônibus seguiu viagem.
"Mostrei respeito suficiente com minhas roupas modestas, não podia me humilhar", escreveu Rosenblit no jornal "Yediot Ahronot". "Como é que, nos dias de hoje, um homem ainda acha que uma mulher não pode se sentar na sua frente?"
Os ultraortodoxos compõem cerca de 10% da população de Israel, mas sua força política é multiplicada devido à uma influente bancada parlamentar e às constantes concessões do governo.
O incidente em Ashdod, porém, ganhou condenação de quase todo o espectro político, a começar pelo premiê, Binyamin Netanyahu.
"Não permitiremos que grupos minoritários destruam nosso denominador comum", disse o premiê.
Nos últimos meses, a agressividade de alguns ultraortodoxos em aplicar os princípios de modéstia e segregação entre gêneros reacendeu o debate sobre a conturbada convivência entre a prática religiosa e os princípios democráticos.
Anúncios publicitários com fotos de mulheres em bairros religiosos foram destruídos em Jerusalém e
cerimônias do Exército com cantoras foram boicotados por soldados religiosos.
Apesar de uma decisão de uma corte israelense no início do ano proibindo a separação obrigatória entre homens e mulheres no transporte público, há permissão para que algumas linhas de ônibus circulem com "segregação voluntária".
O exemplo de Rosenblit inspirou uma campanha na internet, convocando mulheres a embarcar nessas linhas para desafiar a segregação.
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