Publicidade

 

Publicidade

 

PUBLICIDADE

 
 
  Acompanhe a Folha.com no Twitter
19/12/2011 - 19h30

Campanha contra segregação de gênero ganha força em Israel

Publicidade

 

MARCELO NINIO
DE JERUSALÉM

A campanha contra a segregação religiosa entre homens e mulheres em Israel ganhou um símbolo.

Tanya Rosenblit, 28, negou-se a ceder à pressão de judeus ultraortodoxos para que se sentasse no banco de trás em um ônibus que ia de Ashdod (sul) para um bairro religioso de Jerusalém.

Depois de relatar a experiência em sua página no Facebook, Rosenblit, judia laica, imediatamente passou a ser considerada heroína pelos israelenses contrários à separação entre gêneros.

A imprensa do país chegou a compará-la à norte-americana Rosa Parks, que, em 1955 virou símbolo da luta contra a segregação racial nos EUA ao recusar-se a ceder seu lugar no ônibus a um passageiro branco.

Na última sexta-feira, Rosenblit pegou um ônibus da linha 451, uma das muitas em Israel usadas por judeus ultraortodoxos e em que há separação voluntária entre homens e mulheres.

Pouco após sentar-se na primeira fila, Rosenblit, começou a ser xingada por judeus ultrortodoxos, que exigiram que ela passasse para o banco de trás, na parte reservada às mulheres.

Apesar dos apelos do motoristas e de policiais chamados ao local para que respeitasse os passageiros religiosos, ela manteve-se firme e o ônibus seguiu viagem.

"Mostrei respeito suficiente com minhas roupas modestas, não podia me humilhar", escreveu Rosenblit no jornal "Yediot Ahronot". "Como é que, nos dias de hoje, um homem ainda acha que uma mulher não pode se sentar na sua frente?"

Os ultraortodoxos compõem cerca de 10% da população de Israel, mas sua força política é multiplicada devido à uma influente bancada parlamentar e às constantes concessões do governo.

O incidente em Ashdod, porém, ganhou condenação de quase todo o espectro político, a começar pelo premiê, Binyamin Netanyahu.

"Não permitiremos que grupos minoritários destruam nosso denominador comum", disse o premiê.

Nos últimos meses, a agressividade de alguns ultraortodoxos em aplicar os princípios de modéstia e segregação entre gêneros reacendeu o debate sobre a conturbada convivência entre a prática religiosa e os princípios democráticos.

Anúncios publicitários com fotos de mulheres em bairros religiosos foram destruídos em Jerusalém e
cerimônias do Exército com cantoras foram boicotados por soldados religiosos.

Apesar de uma decisão de uma corte israelense no início do ano proibindo a separação obrigatória entre homens e mulheres no transporte público, há permissão para que algumas linhas de ônibus circulem com "segregação voluntária".

O exemplo de Rosenblit inspirou uma campanha na internet, convocando mulheres a embarcar nessas linhas para desafiar a segregação.

 

Sobre a Folha | Expediente | Fale Conosco | Mapa do Site | Ombudsman | Erramos | Atendimento ao Assinante
ClubeFolha | PubliFolha | Banco de Dados | Datafolha | FolhaPress | Treinamento | Folha Memória | Trabalhe na Folha | Publicidade

Publicidade

 

Publicidade

 

Publicidade