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Iraque corre o risco de ter uma guerra civil, diz ex-primeiro-ministro
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DA EFE, EM NOVA YORK
O ex-primeiro-ministro iraquiano Ayad Allawi denunciou nesta quarta-feira que o Iraque está "à beira do desastre" e poderia se encaminhar para "uma devastadora guerra civil", e pediu aos Estados Unidos que atuem "com rapidez" para ajudar a criar um Governo de união nacional que afaste essa possibilidade.
"O Iraque se dirige em direção a uma autocracia sectária que acarreta o perigo de uma devastadora guerra civil", diz Allawi em artigo de opinião publicado pelo jornal "The New York Times", no qual pede aos EUA que deixem claro que "um Governo de poder compartilhado é a única opção viável para o Iraque".
O ex-primeiro-ministro, que liderou a coalizão Al Iraqiya que ficou em primeiro lugar nas eleições de 2010, pede concretamente às autoridades americanas que atuem "com rapidez para ajudar a criar com sucesso um Governo de unidade, sem o qual o Iraque estará condenado".
"A retirada americana pode nos deixar com o Iraque de nossos pesadelos: um país no qual um Exército parcial proteja um regime sectário e egoísta em lugar do povo ou da Constituição", acrescenta Allawi, que também alerta que "a riqueza da nação pode acabar nas mãos de uma elite corrupta".
O artigo, que também é assinado pelo presidente do Parlamento iraquiano, Osama al Nayify, e o ministro das Finanças do país, Rafea al Isawi, denuncia além disso a "subordinação" que o Iraque vive nas mãos do partido do primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, "desde as eleições de 2010".
O ex-primeiro-ministro iraquiano entre 2001 a 2005 denuncia que os oponentes a Maliki e seu partido são "intimidados", e ressalta que os integrantes de Al Iraqiya, o grupo que mais cadeiras alcançou nas eleições de 2010, são "ameaçados" pelo próprio primeiro- ministro.
Ele considera que Maliki tenta separá-los da vida política iraquiana e quer formar "um partido único autoritário".
CRISE
O Iraque está imerso em uma crise desencadeada no último dia 19 pela emissão de uma ordem de detenção contra o vice-presidente sunita, Tareq al Hashemi, por supostos delitos de terrorismo, o que originou o boicote da Al Iraqiya às reuniões do governo de união nacional, onde tem oito ministros.
Allawi afirma no artigo que o Iraque viu desde o ano passado como foi ferida a independência judicial e como foram desmanteladas "as instituições independentes encarregadas de promover as eleições limpas e combater a corrupção".
Além disso, o artigo critica o apoio incondicional dos Estados Unidos a Maliki e pede a Washington o apoio ao cumprimento por parte do primeiro-ministro do acordo de Erbil, que abriu a porta para a formação de um gabinete após nove meses de vazio governamental depois das eleições.
"Pedimos respeitosamente aos líderes americanos que entendam que seu apoio incondicional a Maliki está empurrando o Iraque ao caminho da guerra civil", dizem os autores do texto.
Junto da tensão política, o Iraque vive uma crise de segurança que se exacerbou após a retirada das tropas americanas e uma série de atentados como a série de explosões que na quinta-feira deixou mais de 60 mortos em Bagdá.
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