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Para especialistas, capitão infringiu convenção internacional
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GUILHERME CELESTINO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Atualizado às 14h00.
Especialistas dizem que o capitão do navio Costa Concordia, Francesco Schettino, errou em se aproximar demais da costa em uma ilha com formato "paredão".
O capitão abandonou o navio após o acidente e rejeitou ordens de retornar e ajudar os passageiros. O navio naufragou na sexta-feira passada.
Eles dizem que o capitão ainda infringiu a convenção internacional Normas de Formação, Certificação e Vigilância (STCW, na sigla em inglês) ao abandonar a embarcação e não prestar o socorro aos passageiros.
Álvaro Otranto, oficial da Marinha Mercante e capitão de iates de grande porte, disse que o comandante deveria saber que durante a noite não é possível se aproximar tanto da costa em um navio desse porte.
Mas ele explica que, em cruzeiros, é normal fazer manobras desse tipo.
"É importante nesse caso o comandante ter o controle do navio e saber por onde vai", diz Otranto.
EXCESSO DE CONFIANÇA
Ele acredita que o acidente pode ter sido provocado por excesso de confiança. "Tem capitão de navio de passageiro que não aceita instruções da Capitania dos Portos."
Quanto à tripulação, ele explica que nem todos os integrantes têm treinamento adequado para enfrentar situações de emergência.
Há menos aquaviários, os profissionais do setor, do que pessoas que exercem outras funções --na limpeza e nos restaurantes, por exemplo-- nas equipes embarcadas.
Em relação ao abandono do navio, o capitão Odilon Braga, secretário-geral do Sindmar (Sindicato dos Oficiais da Marinha Mercante), afirma que as normas da convenção internacional STCW de 1978 diz claramente quais são as atribuições do capitão.
Nela o capião e demais oficiais tem a responsabilidade pela segurança dos passageiros em caso de emergência em navios de passageiros e devem ter concluído uma formação em gestão de crises e do comportamento humano.
SITUAÇÃO NO BRASIL
Braga diz que é importante uma maior regulamentação dos navios de passageiros no Brasil. Ele explica que em razão das bandeiras dos cruzeiros serem estrangeiras, não há oficiais brasileiros.
Com temporadas de duração cada vez maiores e com mais navios, o sindicato pretende atuar para rever essa situação.
Segundo Braga, já há leis que obrigam outros tipos de embarcação a terem brasileiros entre os oficiais, mas isso não acontece com os navios de passageiros.
"Isso é problemático não só pela língua, já que em uma situação de perigo avisar as autoridades poderia ser um problema, como também é importante ter oficiais brasileiros pelo fato deles terem maior conhecimento da costa brasileira", diz.
As normas de navegação no Brasil ainda indicam que é vedado ao comandante alterar os portos e escala da embarcação, sem causa justificada, e abandonar a embarcação, por maior perigo que se ofereça, a não ser em virtude de naufrágio e após certificar-se de que é o último a fazê-lo.
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