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28/01/2012 - 07h11

Aliados articulam terceiro mandato para Cristina Kirchner

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SYLVIA COLOMBO
DE BUENOS AIRES

Os gritos de "Cristina eterna", tão repetidos pela militância que apoia a presidente argentina Cristina Kirchner, finalmente entraram abertamente no discurso de políticos governistas.

O jornal "La Nación" publicou ontem um relato sobre um almoço fechado entre integrantes do governo, em Mar del Plata, no qual a deputada provincial Fernanda Raverta, da agrupação La Cámpora teria proposto a reforma da Constituição para garantir um terceiro mandato à Cristina.

Na Argentina, o terceiro mandato é proibido pela lei. A presidente iniciou seu segundo período em 10 de dezembro último, após ser eleita com 54% dos votos.

Ainda segundo o jornal, a deputada foi apoiada pelo vice-presidente Amado Boudou, que disse que "temas constitucionais têm de ser discutidos agora e não dentro de três anos".

OPOSIÇÃO

Após a divulgação das declarações pelos meios, houve forte reação da oposição. Ricardo Alfonsín, (União Cívica Radical) e o socialista Hermes Binner, ambos derrotados nas últimas eleições, se manifestaram contra.

Alfonsín disse que a sociedade não via com bons olhos essa iniciativa. "Todas essas coisas terminam afetando negativamente a imagem do governante", disse.

Já Binner declarou que não era "eticamente saudável" que, durante o exercício de sua função, um governo pedisse para "modificar a Constituição em função de seu benefício particular".

Além de deputados e ministros de governo, estavam presentes integrantes do La Cámpora (agrupação criada pelo filho de Cristina e Néstor Kirchner, Máximo).
Irritado com as repercussões, Boudou ontem declarou que, quando disse que "não era necessário esperar três anos", não estava falando sobre a re-reeleição especificamente, mas da necessidade de o terceiro mandato entrar na agenda no futuro.

Alejandro Pagni - 28.dez.11/France Presse
A presidente Cristina Kirchner discursa em reunião com governadores, em sua primeira aparição pública após uma operação
A presidente Cristina Kirchner discursa em reunião com governadores, em sua primeira aparição pública após uma operação
 

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