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05/02/2012 - 14h06

Liga Árabe diz que não desistirá de esforços pela paz na Síria

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DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, afirmou neste domingo que a organização manterá seus esforços para resolver a crise na Síria, embora a tentativa de receber apoio do Conselho de Segurança da ONU tenha sido bloqueada pela Rússia e pela China.

A Rússia e a China vetaram ontem pela segunda vez no Conselho de Segurança um projeto de resolução que condenava a repressão na Síria. O plano era apoiado pelos demais países do principal organismo de decisão das Nações Unidas.

Arabi garantiu em comunicado que a Liga Árabe, sediada no Cairo, seguirá em coordenação com o regime e a oposição síria para buscar uma forma de acabar com as mortes nos conflitos e proteger os cidadãos do país.

Segundo ele, o veto da Rússia e da China "não nega que haja um claro apoio internacional às resoluções da Liga Árabe", que pretendia obter apoio do Conselho para um documento que pedia a renúncia do ditador sírio, Bashar Assad, para que as negociações com a oposição pudessem começar.

O dirigente enfatizou a importância de que a solução política à crise na Síria seja alcançada por meio do plano árabe, sem que o país perca sua soberania. O plano da Liga Árabe estipula que Assad transfira seus poderes a seu vice e determina a formação de um governo de união nacional pelo fim dos conflitos.

3.fev.12/Reuters
Garoto participa de manifestação na Síria contra o regime do ditador Bashar Assad
Garoto participa de manifestação na Síria contra o regime do ditador Bashar Assad

"A Liga Árabe continuará seus esforços com o regime sírio e a oposição, coordenando com todos os lados relativos à questão da Síria, para concretizar os grandes objetivos para os quais a Liga Árabe está trabalhando", disse em comunicado.

RESOLUÇÃO FRUSTRADA

A Rússia afirmou neste domingo que os países ocidentais são os grandes responsáveis pelo fracasso do voto da resolução condenando a repressão na Síria no Conselho de Segurança da ONU. Segundo um representante da diplomacia russa, o Ocidente não fez "esforços suficientes" para alcançar um consenso sobre o assunto.

"Em Moscou, lamentamos que os autores do projeto de resolução sobre a Síria não queriam fazer um esforço extra para alcançar um consenso", disse o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Gennady Gatilov.

O CNS (Conselho Nacional Sírio), grupo que reúne os principais setores da oposição, afirmou que o veto à resolução contra o regime da Síria concede ao ditador Bashar Assad e outras autoridades uma "autorização para matar com impunidade".

A reação da comunidade internacional sobre o veto chinês e russo foi dura. Treze nações votaram a favor do projeto proposto pelos países árabes e europeus, que apoiam um plano da Liga Árabe para assegurar uma transição à democracia na Síria.

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, acusou a Rússia e a China de terem "abandonado" o povo sírio e de encorajar a brutal repressão do regime de Assad. O embaixador francês na ONU, Gérard Araud falou em um "dia triste para o Conselho, para os sírios e para os amigos da democracia".

Finbarr O'Reilly /Reuters
Manifestante em frente à embaixada da Síria, em Londres; houve prostesto também em outros países, como Alemanha
Manifestante na embaixada da Síria, em Londres; houve prostesto também em outros países, como Alemanha

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, considerou uma piada a decisão russa e chinesa de vetar a resolução. Hillary disse que os esforços fora da ONU para ajudar as pessoas da Síria devem ser redobrados agora.

"Trabalharemos para buscar sanções regionais e nacionais contra a Síria e fortalecer as que já temos. Serão aplicadas com grande rigor para secar as fontes de financiamento e as entregas de armas mantidas pela máquina de guerra do regime", disse ela. "Vamos desmascarar aqueles que ainda estiverem financiando o regime e enviando armas que são utilizadas contra sírios indefesos, incluindo mulheres e crianças".

REPRESSÃO

Editoria de Arte/Folhapress

O voto na ONU ocorreu um dia depois de organizações opositoras afirmarem que o regime bombardeou a cidade de Homs e acusaram militares de massacrar mulheres e crianças, e usar tanques e armamentos pesados na pior ação registrada em 11 meses de revoltas.

O CNS confirmou que mais de 260 pessoas morreram no que considerou ser "o massacre mais horrível cometido pelo regime desde o começo do levante na Síria". O regime negou as acusações, afirmando que tais grupos estavam envolvidos com uma campanha conspiratória para desestabilizar a Síria.

Em dezembro, a ONU havia atualizado a contagem de civis mortos nas ações violentas das forças de segurança em 5.000 pessoas, e, desde então, não foi divulgado nenhum novo número sobre o assunto. Grupos opositores calculam que o número já ultrapasse os 7.000.

O regime de Assad se defende dizendo que, na verdade, combate terroristas armados, e não manifestantes pró-democracia. Segundo as autoridades sírias, mais de 2.000 membros das forças de segurança morreram nas operações.

 

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