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06/02/2012 - 11h40

Merkel e Sarkozy pedem que Grécia crie fundo para pagar juros

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmaram nesta segunda-feira que os juros da dívida grega sejam bloqueados em uma conta e pediram que o governo do país "respeite seus compromissos".

"Os juros da dívida grega devem permitir a segurança de que esse dinheiro está disponível de forma durável", afirmou Merkel.

Em entrevista coletiva concedida pelos dois mandatários, a chanceler alemã afirmou que a Grécia não receberá novas ajudas da União Europeia se não chega a um acordo com o bloco e o FMI (Fundo Monetário Internacional) para o pagamento da dívida pública do país.

Apesar das críticas, Merkel disse que gostaria que a Grécia permanecesse na zona do euro.

FORA DO PRAZO

A Grécia deixou outro prazo passar nesta segunda para responder às exigências da ajuda oferecida pela UE (União Europeia) e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), enquanto a paciência de Bruxelas se esgotava diante da lentidão das negociações entre os líderes políticos gregos.

Se não houver um acordo para garantir os 130 bilhões de euros em empréstimos emergenciais, Atenas pode ser obrigada a dar um desastroso calote em suas obrigações de dívida --colocando em risco seu futuro na zona do euro.

A Comissão Europeia advertiu nesta segunda-feira que as negociações para que a Grécia chegue a um acordo com seus credores e evitar a suspensão de pagamentos do país já perderam o prazo. "É preciso tomar decisões e a bola está no campo dos gregos", afirmou o porta-voz comunitário Amadeu Altafaj.

Panos Beglitis, porta-voz do partido socialista PASOK, disse no domingo que os líderes dos três partidos do governo tecnocrata de Lucas Papademos precisavam dar suas respostas até o meio-dia desta segunda-feira (8h no horário de Brasília).

Em Bruxelas, autoridades frustradas da UE disseram que a Grécia já está fazendo "hora extra" depois de não conseguir firmar um acordo no fim de semana sobre um pacote que inclui reduções de salários e aposentadorias, cortes de empregos e medidas mais duras de arrecadação tributária.

"Será muito ruim se não houver fumaça branca vindo de Atenas hoje", disse uma fonte de governo da zona do euro.

"Nós já deixamos passar prazos. Para preparar a nova parcela de dinheiro e reagendar a dívida na primeira metade de março, toda uma série de medidas técnicas precisa ser tomada. Precisamos de uma decisão agora, para implementar o mecanismo de reagendamento."

DIVERGÊNCIAS

Líderes do PASOK, do conservador Nova Democracia e do LAOS, de extrema-direita --que podem enfrentar um eleitorado irritado nas eleições parlamentares de abril--, ainda precisam se decidir sobre algumas questões, entre elas a reforma do mercado de trabalho e a reestruturação de bancos domésticos.

Os chefes dos três partidos da coalizão governamental na Grécia devem reavivar nesta segunda-feira as negociações com a troika, composta por UE, BCE (Banco Central Europeu) e FMI, sobre as reformas exigidas em troca de uma nova ajuda para o país, após ter fracassado no domingo em alcançar um acordo.

A troika "pede mais austeridade do que o país é capaz de suportar", disse o líder da Nova Democracia (direita) Antonis Samaras ao sair no domingo de uma reunião na casa do primeiro-ministro grego, Lucas Papademos.

O governo grego negocia há semanas as medidas de ajustes exigidas por Bruxelas em troca de um empréstimo de ao menos 130 bilhões de euros, que se somariam aos 110 bilhões acordados em maio de 2010 para evitar a quebra do país.

 

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