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Parlamento iraniano convoca Ahmadinejad para explicações
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SAMY ADGHIRNI
DE TEERÃ
O Parlamento do Irã convocou nesta terça-feira o presidente Mahmoud Ahmadinejad a se apresentar diante dos deputados no próximo mês para se explicar sobre sua gestão, econômica principalmente.
A convocação, a primeira de um presidente desde a Revolução Islâmica de 1979, é vista como reflexo das disputas internas que continuam rachando as fileiras governistas às vésperas da eleição legislativa de 2 de março.
Segundo a mídia estatal, a proporção de um quarto dos representantes foi superada quando 79 dos 290 membros do parlamento unicameral iraniano (acima da proporção de um quarto exigida para tais convocações) assinaram a petição, que deve ser formalmente apresentada a Ahmadinejad na quinta-feira.
Mohammad Reza Bahnoar, presidente do Parlamento, afirmou que Ahmadinejad, no poder desde 2005, deverá responder a acusações de que enfraqueceu a economia, agora submetida a dificuldades ainda maiores devido a novas sanções de EUA e União Europeia.
O presidente também será questionado por ter demorado a acatar em 2011 uma ordem do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, detentor da palavra final sobre todos os temas nacionais.
Khamenei havia determinado que Ahmadinejad recuasse da decisão de demitir o ministro da Inteligência, Heidar Moslehi. O presidente só reintegrou Moslehi onze dias depois.
Ahmadinejad ainda enfrentará ataques dos parlamentares por ter demitido sumariamente o chanceler Manouchehr Mottaki em 2010 e por suposta leniência na aplicação da lei que rege o jeito de as mulheres se vestirem.
Em teoria, Ahmadinejad corre risco de sofrer um impeachment caso se recuse a comparecer ou forneça respostas que os parlamentares julgarem insuficientes.
Mas essa possibilidade é tida por analistas como improvável, já que enfraqueceria um regime abalado por disputas internas, que opõem dois campos principais que se enfrentarão no pleito de março, o primeiro teste nas urnas desde a controversa reeleição de Ahmadinejad, em 2009.
De um lado, Ahmadinejad e alguns assessores, vistos como mais propensos a reformas e ao diálogo com as potências inimigas ocidentais.
Do outro, a maioria dos parlamentares, ministros e militares alinhados com o líder supremo, que enxergam reformas e concessões como ameaça às fundações do regime teocrático.
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