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09/02/2012 - 16h22

Chefe de colégio eleitoral denuncia fraudes em eleição na Rússia

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DA EFE, EM MOSCOU

A chefe destituída de uma comissão eleitoral de Samara, na Rússia, denunciou nesta quinta-feira os preparativos das autoridades locais para fraudar as eleições presidenciais de 4 de março em favor do primeiro-ministro, Vladimir Putin.

"Destituíram a mim e minha equipe por nos negarmos a falsificar os protocolos das eleições legislativas", declarou Irina Kolpakova, segundo informa o jornal digital "Gazeta.ru".

Irina, que presidiu o colégio eleitoral 655 durante as polêmicas parlamentares de 4 de dezembro, denunciou que houve tentativas de fazê-la manipular os resultados para conceder a vitória ao partido de Putin, Rússia Unida (RU).

PARLAMENTARES

No seu colégio eleitoral, os comunistas lideravam claramente a apuração provisória, quando Irina recebeu uma ligação do governo local para que "refizesse os protocolos", garantindo assim a vitória dos governistas com 70% dos votos.

Quando ela disse a seu interlocutor que isso poderia ser punido penalmente e que uma cópia dos protocolos já havia sido entregue aos observadores eleitorais, ele lhe pediu o número de telefone dos mesmos.

Irina, cujas declarações foram gravadas em vídeo e postadas no YouTube, afirmou que as autoridades devem utilizar a mesma tecnologia nas presidenciais e que já realizaram uma reunião com esse objetivo no final de janeiro.

Ainda nas parlamentares, segundo Irina, os chefes das comissões eleitorais foram orientados a garantir ao menos 70% dos votos a Putin, para que ganhe as eleições já no primeiro turno, algo que segundo algumas pesquisas ainda não é certo.

PUTIN

Em sua opinião, a única pessoa capaz de pôr fim às fraudes eleitorais é o próprio Putin.

"Sinto simpatia (por Putin), mas ele me decepcionou ultimamente, já que não sabe o que está acontecendo, e eu gostaria que escutasse este apelo", disse.

Em suas declarações ao primeiro-ministro, Irina reiterou "com absoluta franqueza e responsabilidade" que os colaboradores e assessores do primeiro-ministro "trabalham de maneira muito suja".

"Se existe ainda a possibilidade de pôr fim a esta impunidade, por favor, tome as rédeas no assunto e o encerre", disse.

CÂMERAS

A ex-chefe da comissão eleitoral de Samara considerou que a iniciativa de Putin de colocar câmeras nos colégios eleitorais não impedirá a fraude, já que os protocolos podem ser refeitos em escritórios das comissões eleitorais às quais os representantes dos partidos opositores não têm acesso.

Em resposta, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, afirmou que a denunciante "não apresenta fatos que podem ser comprovados", motivo pelo qual sua declaração não merece grande atenção.

"Putin, como indiscutível líder na atual corrida eleitoral, está mais interessado do que outros candidatos em que a campanha eleitoral seja limpa e transparente", disse Peskov à agência "Interfax".

Desde as parlamentares de dezembro, a Rússia foi palco de sua maior onda de protestos antigovernamentais em 20 anos, devido às denúncias de fraude para que o RU obtivesse a maioria absoluta na Duma (Câmara dos Deputados).

Enquanto isso, Putin acusa a oposição de tentar deslegitimar as eleições para impedir seu retorno ao Kremlin após quatro anos à frente do governo.

 

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