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23/03/2012 - 18h29

Situação no Mali é caótica, dizem brasileiros

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DIOGO BERCITO
DE SÃO PAULO

Soldados pilham postos de gasolina e roubam carros em Bamaco, capital do Mali, conforme a situação torna-se caótica após o golpe militar que derrubou o presidente Amadou Toumani Touré, anteontem.

Cercados pelo conflito e imobilizados por um toque de recolher, brasileiros evitam as ruas no país africano.

A professora Paula de Melo, no Mali desde 2010 para trabalho voluntário, diz que mantém a família --marido e duas filhas-- às custas da compra do mês. "Tenho estoque até terça-feira", afirma à Folha, por telefone.

Essa é a previsão que os insurgentes deram para a normalização da situação no país.

Com a notícia de que as tropas do governo retomaram a sede da TV estatal, primeiro edifício tomado durante o golpe, havia ontem, no entanto, receio de contragolpe e, portanto, mais disputas.

Melo conta que, nas ruas, testemunhou militares disparando para cima e que a cidade esteve por 24 horas sob tiroteio.

A União Africana afirmou ter garantias de que o presidente Touré está em segurança, protegido por soldados. O bloco suspendeu Mali como membro após o golpe.

EMBAIXADA

Os dez funcionários da embaixada brasileira em Bamaco permanecem trancados no edifício.

"Estamos confinados desde quarta-feira à noite. Não é seguro sair", diz a diplomata Marianne Guimarães.

Ela relata que a embaixada permanece com água, eletricidade, internet e telefone. Mas já há notícias de racionamento, nos próximos dias.

"Sabia-se que havia insatisfação, mas não a esse ponto", afirma Guimarães, surpresa com a insurgência.

Os militares justificam a ação golpista devido à incapacidade do governo legítimo de lidar com a rebelião dos nômades tuaregs no norte do país.

"É um golpe sem sentido, pelo calendário eleitoral", diz --o presidente Touré deixaria o cargo em abril, após as eleições.

Além dos funcionários da embaixada, estão isolados no edifício três brasileiros que integravam uma comitiva ao país.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirma que há, no total, cerca de 30 brasileiros no país.

Agências de notícias afirmavam, ontem, que civis juntaram-se às tropas na pilhagem. Itens como pão e gasolina tornaram-se escassos.

A Comissão Europeia anunciou a suspensão temporária da ajuda do bloco ao desenvolvimento no Mali. Estava prevista a entrega de € 584 milhões (R$ 1,4 bi) entre 2008 e 2013.

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