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08/10/2012 - 03h50

Falta mão de obra em cidades da Alemanha

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JACK EWING
DO "NEW YORK TIMES"

INGOLSTADT, Alemanha - Patrick Schulter, 21, comparou três ofertas antes de optar por um programa de treinamento que incluía trabalho e estudo na Schabmüller Automobiltechnik, que produz componentes para a Audi e outras montadoras de veículos.Uma de suas colegas trainees, Rebecca Hartl, 18, comentou: "Nenhum dos meus amigos teve dificuldades em encontrar trabalho".

Ingolstadt é uma cidade à margem do rio Danúbio, ao norte de Munique e com 128 mil habitantes. É possível que ela constitua o melhor exemplo da reviravolta vivida no mercado de trabalho da Alemanha desde a reforma da regulamentação trabalhista, em 2005. O desemprego nessa cidade está em apenas 2,2%. Na cidade vizinha de Eichstätt, o índice é ainda menor: apenas 1,3%.

No entanto, emprego e afluência não são necessariamente sinônimos, como deixa claro o desnível de renda crescente no país. E nem todos os empregos disponíveis são necessariamente seguros.

Nem mesmo a Alemanha está imune aos problemas econômicos da Europa. Um índice que mede o clima dos negócios e é visto como aferidor confiável do estado de ânimo vigente na indústria alemã, caiu pelo quinto mês em setembro, segundo dados divulgados em 24 de setembro pelo Instituto Ifo, em Munique. Os gerentes alemães temem que a crise na zona do euro os esteja privando de vendas em outras partes da Europa.

Como as empresas do resto do país, as de Ingolstadt prosperaram exportando não apenas para a Europa, mas para mercados emergentes.

Desde 2005, quando a reforma das leis trabalhistas entrou em vigor, o índice de desemprego na Alemanha caiu de 13% para menos de 7%. Entre os fatores importantes, estão uma grande redução nos benefícios pagos aos desempregados, que pressiona as pessoas a aceitarem empregos mesmo que sejam mal pagos, e mudanças que facilitam a contratação de funcionários temporários pelas empresas, que possuem menos proteções trabalhistas. Mesmo profissionais mais bem pagos agora precisam contentar-se com reajustes salariais magros.

O resultado é que os custos trabalhistas na Alemanha quase não mudaram nos últimos dez anos, fato que vem ajudando as empresas a se tornarem mais competitivas nos mercados mundiais, impedindo a perda de empregos na indústria para a Europa do leste ou a China. Mas os mesmos fatores também criaram um maior desnível de renda.

Mesmo assim, a julgar pela maioria dos critérios, Ingolstadt passou por uma transição surpreendente. Em 2005, o desemprego na cidade estava em 7%, três vezes o nível atual.

A Audi, que emprega 35 mil pessoas aqui, continua a crescer, tendo relatado um aumento de 13% em suas vendas unitárias até agosto. Mas algumas pessoas receiam que a montadora possa começar a sofrer a desaceleração de vendas que aflige a maioria das outras montadoras europeias.

No momento, poucos trabalhadores estão se queixando. As pessoas que estão sofrendo mais talvez sejam os empregadores desesperados por encontrar mão de obra. Apesar disso, ainda não ocorreu uma grande entrada de trabalhadores vindos de países onde o desemprego está alto, como Espanha, Grécia ou Itália.

A proprietária do Espresso Café Boulevard, Kristin Zinser, comentou que é difícil encontrar e manter pessoas em empregos locais. "São estudantes", explicou. "Depois de algum tempo, eles vão embora."

O mercado de trabalho absorveu pessoas que antes eram consideradas impossíveis de ser empregadas. Após a queda da União Soviética, Ingolstadt recebeu muitos alemães étnicos vindos de países como o Cazaquistão e que tinham direito à cidadania alemã. Mas muitos deles não falavam o alemão, nem possuíam qualificações que interessassem ao mercado. Na época, uma alta na criminalidade foi atribuída a esse grupo.

Herbert Lorenz, chefe do escritório de desenvolvimento econômico de Ingolstadt, disse que esse problema praticamente desapareceu. "A melhor política é o pleno emprego", segundo ele.

 

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