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Análise: Expansão do mercado interno chinês beneficiará América Latina
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ADRIAN HEARN
ESPECIAL PARA A FOLHA
Um desafio crucial para os novos líderes da China, Xi Jinping e Li Keqiang, é expandir o mercado interno. Caso tenham sucesso, a mineração, a agricultura e a manufatura latino-americanas serão profundamente afetadas.
A China já não pode depender dos mercados europeus e americanos e deve priorizar o crescimento de base nacional para manter o emprego e a estabilidade social. No entanto, as grandes estatais orientadas à exportação continuam a receber grandes empréstimos e subsídios do governo.
Em comparação, as pequenas empresas que poderiam oferecer produtos e serviços com mais alto valor adicionado no mercado interno não dispõem de crédito e não são capazes de expandir seus quadros de trabalhadores.
Para enfrentar esse problema, os novos líderes provavelmente elevarão os gastos do governo com a saúde e os serviços sociais, facilitarão o crédito ao consumidor e apoiarão a adoção de férias pagas --medidas que permitirão aos cidadãos buscar empregos mais produtivos e gerar renda para consumo.
Os exportadores latino-americanos de minério de ferro, cobre, carvão e petróleo precisarão identificar esses novos clientes chineses em nível provincial e municipal, porque construção e incorporação imobiliária serão propelidas cada vez mais pelo consumo urbano privado.
De fato, o governo central chinês projeta que, à medida que cresce o investimento privado, seu nível de investimento direto (especialmente em dispendiosos processos de infraestrutura e na indústria pesada) recuará de 45% para 25% do PIB.
Exportadores de carne, soja e outros alimentos em países como Argentina, Brasil e Peru se beneficiarão quando 300 milhões de chineses deixarem para trás a agricultura e a substituírem pela cultura de consumo urbano, daqui até 2025.
A ênfase no mercado interno também beneficiará a indústria latino-americana, que sofre debilitante competição de eletrônicos, roupas e outros bens de consumo chineses importados.
Tendo perdido um total reportado em 900 mil empregos para os concorrentes chineses, o México, especialmente, receberá de modo positivo a mudança de direção no fluxo de comércio criada pelo aumento da demanda interna chinesa.
Com alta do PIB prevista em 7% ao ano até 2020, os produtores chineses precisarão se familiarizar mais com seus clientes e mercados internos. Consultores de finanças, logística e vendas latino-americanos conhecem os mercados emergentes e estão bem posicionados para explorar esse nicho crítico na economia chinesa em evolução.
ADRIAN HEARN é coordenador de pesquisas de relações exteriores no Centro de Estudos Chineses da Universidade de Sydney (Austrália).
Tradução de PAULO MIGLIACCI
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