Coreia do Norte aceita mandar atletas para Olimpíada após reunião com Sul

Crédito: Yonhap via AP The head of North Korean delegation Ri Son Gwon, right, exchanges documents with South Korean Unification Minister Cho Myoung-gyon after their meeting at Panmunjom in the Demilitarized Zone in Paju, South Korea, Tuesday, Jan. 9, 2018. The rival Koreas took steps toward reducing their bitter animosity during rare talks Tuesday, as North Korea agreed to send a delegation to next month's Winter Olympics in South Korea and reopen a military hotline. (Korea Pool/Yonhap via AP) ORG XMIT: XAHN816
Membros das delegações da Coreia do Sul (esq.) e da Coreia do Norte se encontram

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira (9) que enviará uma delegação para disputar a Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, em fevereiro, mas descartou debater seu programa nuclear com Seul.

As decisões foram tomadas após a primeira reunião entre representantes dos dois países em mais de dois anos.

Para facilitar a participação norte-coreana no evento, a Coreia do Sul anunciou que estuda suspender temporariamente parte das sanções que impôs contra a ditadura de Kim Jong-un e que vai pedir à ONU e a países aliados —como os EUA e o Japão— que façam o mesmo.

O vice-ministro Chun Hae-Sung, responsável da Coreia do Sul pelas negociações com o vizinho, disse que seu país pediu a realização de uma nova rodada de conversas para diminuir a tensão na península, além de uma retomada das negociações sobre os testes de mísseis e o programa nuclear norte-coreano.

Após o fim da reunião, porém, os representantes norte-coreanos disseram que não pretendem debater a questão com seus "irmãos" sul-coreanos, apenas com Washington. "Todas as nossas armas, incluindo bombas atômicas, bombas de hidrogênio e mísseis balísticos têm como alvo apenas os Estados Unidos, e não nossos irmãos, a China ou a Rússia", disse o chefe da delegação norte-coreana, Ri Son-gwon.

A Coreia do Norte fez uma reclamação formal contra seu vizinho por ter introduzido o tema nuclear no debate, mas abriu espaço para uma nova rodada de negociações.

Em um comunicado conjunto após o encontro, que durou onze horas, os dois lados defenderam a manutenção do diálogo para debater problemas em comum e diminuir as tensões na península. Também concordaram em restabelecer uma linha direta para assuntos militares, que deve entrar em funcionamento nesta quarta-feira (10).

No documento. Pyongyang também se comprometeu oficialmente a mandar uma delegação para a Olimpíada que começa no próximo mês.

A Coreia do Norte tem dois atletas classificados para disputar a competição, a dupla de patinadores Ryom Tae-ok e Kim Ju-sik.

Crédito: Crédito Atletas das duas Coreias se apresentam juntos na abertura dos Jogos de Inverno de Turim em 2006
Atletas das duas Coreias se apresentam juntos na abertura dos Jogos de Inverno de Turim em 2006

Seul propôs que os atletas dos dois países marchem juntos durante a cerimônia de abertura. Isso já ocorreu em uma série de eventos esportivos durante os anos 2000, incluindo as Olimpíadas de Sidney-2000 e Atenas-2004, mas não acontece desde 2007.

Os sul-coreanos também querem realizar uma série de reencontros entre famílias divididas pela Guerra da Coreia (1950-1953) no Ano Novo lunar, que acontece durante os Jogos.

A Coreia do Norte afirmou que sua delegação terá militares de alta patente, atletas e um grupo de torcedores.

Na única vez que a Coreia do Sul recebeu uma edição dos Jogos Olímpicos, a Olimpíada de Verão de 1988 em Seul, a Coreia do Norte boicotou o evento. Antes da competição, no final de 1987, o governo norte-coreano explodiu um avião sul-coreano, matando as 115 pessoas a bordo, em uma tentativa de desestabilizar o torneio.

Crédito: Editoria de Arte/Folhapress VA OF Coreias

ENCONTRO

O encontro desta terça, o primeiro desde dezembro de 2015 entre Seul e Pyongyang, foi feito na vila de Panmunjom, que fica dentro da zona desmilitarizada que separa os dois países.

A reunião começou às 10h locais (23h de segunda no horário de Brasília) na Casa da Paz, uma construção de três andares que costuma ser usada para as conversas entre as duas Coreias. Cada país mandou cinco representantes ao encontro.

"Nós viemos a este encontro com o objetivo de dar aos nossos irmãos, que têm altas expectativas para este diálogo, um resultado inestimável como o primeiro presente do ano", disse Ri, o chefe da delegação norte-coreana, ao chegar ao local cerca de meia hora antes do horário combinado.

Do lado sul-coreano, um pequeno grupo com 20 pessoas se reuniu do lado de fora da zona desmilitarizada com faixas de boa sorte e bandeiras com o desenho da península unificada.

Chun, que chefiou a delegação sul-coreana, disse que os dois países estão trabalhando para entregar um "bom presente" para suas populações.

"As conversas começaram após o Norte e o Sul se distanciarem por um longo período, mas eu acredito que dar o primeiro passo é metade do caminho", afirmou ele.

O encontro desta terça foi proposto por Seul logo após o ditador Kim Jong-un expressar em seu discurso de Ano Novo no dia 1º a intenção de permitir que os atletas norte-coreanos participassem da Olimpíada de Inverno.

A Coreia do Sul imediatamente respondeu apoiando a ideia e no dia 2 fez o convite para um diálogo formal. No dia seguinte, representantes dos dois lados se falaram por telefone. Na sexta (5), Pyongyang aceitou oficialmente o convite para o encontro, logo após Seul e Washington anunciarem que adiariam um exercício militar conjunto que fariam na região.

A Casa Branca disse na tarde desta terça que "a participação norte-coreana é uma oportunidade para o regime perceber a importância de interromper seu isolamento internacional iniciando uma desnuclearização". A China e a Rússia, aliados de Pyongyang, também elogiaram a iniciativa.

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