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Enviado iraniano à AIEA evita questões sobre programa nuclear
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COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Após entregar formalmente à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) os detalhes do acordo firmado com Brasil e Turquia, o enviado do Irã ao organismo da ONU (Organização das Nações Unidas) foi evasivo quando questionado sobre os planos da República Islâmica de seguir com o enriquecimento de urânio.
O Irã fez um apelo às grandes potências e à agência nuclear da ONU nesta segunda-feira pela implementação de um acordo para enviar parte de seu urânio à Turquia em troca de combustível atômico, e disse que o programa de enriquecimento nuclear era uma assunto separado.
A proposta para trocar urânio de baixo enriquecimento por combustível a ser usado em um reator iraniano de pesquisa médica, tem como objetivo tranquilizar os temores de que o Irã estaria tentando acumular material suficiente para produzir armas nucleares, e foi acordado na semana passada por Teerã, Turquia e Brasil.
"Esperamos (que isso) seja realizado assim que possível", disse Ali Asghar Soltanieh, enviado do Irã à Agência Internacional de Energia Atômica.
Questionado se o Irã continuaria enriquecendo urânio mesmo se o acordo fosse aprovado, ele disse: "Essa não é a questão."
De acordo com analistas a proposta oferecida pelo Irã não deve ser suficiente para convencer -- EUA, Rússia, China, Reino Unido e França -- os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU a abolirem os planos das potências ocidentais de uma nova rodada de sanções contra o país.
Soltanieh disse que "espera que outros países aproveitem esta oportunidade única" de acordo com o Irã, assim como o Brasil e a Turquia fizeram.
Carta
Ainda nesta segunda-feira (24), em Viena, o Irã entregou ao presidente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, uma carta na qual notifica o organismo da ONU sobre o acordo acertado com o Brasil e a Turquia para o enriquecimento de urânio iraniano em território turco, segundo informações da diplomacia iraniana.
O documento é assinado pelo chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi.
O acordo assinado em 17 de maio passado, em Teerã, prevê a troca na Turquia de 1.200 kg de urânio enriquecido a 3,5% por 120 kg de combustível enriquecido a 20% entregue pelas grandes potências e destinado ao reator nuclear médico de Teerã.
Apesar desse acordo, os Estados Unidos conseguiram convencer na semana passada a China e a Rússia a apoiar um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU para impor novas sanções ao Irã.
A rede de televisão estatal iraniana em árabe al Alam citou a carta de Salehi dizendo que o acordo era "um grande passo adiante" em direção a dissolver as tensões envolvendo o programa de energia nuclear iraniano.
Para a agência de notícias semi-oficial Fars a carta "será o começo de negociações mais detalhadas na troca de combustível através da assinatura de um acordo assinado".
"Esperamos que a agência [AIEA] deixará o Grupo de Viena conhecer o conteúdo desta carta, com um reflexo positivo do Grupo de Viena para nós", dizia a carta, segundo a Fars. O Grupo de Viena é composto pelo Irã, Rússia, França e Estados Unidos.
O Ocidente teme que o Irã pretenda desenvolver armas nucleares, mas o Irã afirma que o seu programa é para fins pacíficos.
Turquia, Brasil e Irã pediram uma suspensão das discussões sobre as sanções por causa do acordo de troca de combustível, mas as potências ocidentais suspeitam que o acordo seja uma tática iraniana para evitar ou postergar as sanções.
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