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Irã entrega proposta de acordo nuclear à ONU; governo brasileiro comemora
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COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O governo brasileiro considerou como uma vitória do diálogo o fato de o Irã ter entregue à ONU (Organização das Nações Unidas) a proposta de acordo nuclear mediado por Brasil e Turquia há uma semana.
O Irã entregou nesta segunda-feira (24), em Viena, ao presidente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, uma carta na qual notifica o organismo da ONU sobre o acordo acertado com o Brasil e a Turquia para o enriquecimento de urânio iraniano em território turco, segundo informações da diplomacia iraniana.
| Vahid Salemi/AP - 17.mai.10 | ||
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| Celso Amorim (esq.), Luiz Inácio Lula da Silva, Mahmoud Ahmadinejad, e Recep Tayyip Erdogan (dir.) comemoram acordo |
O acordo assinado em 17 de maio, em Teerã, prevê a troca na Turquia de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% por 120 quilos de combustível enriquecido a 20% entregue pelas grandes potências e destinado ao reator nuclear médico de Teerã.
"O presidente está bastante satisfeito. Ele acha que foi uma vitória da diplomacia e do diálogo. Quando chefes de Estado dialogam diretamente entre si, é possível conseguir avanços maiores do que só aqueles por canais diplomáticos," disse o ministro brasileiro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, após participar da reunião de coordenação política do governo convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Padilha, "aquilo que a comunidade internacional se esforçava em fazer foi concretizado hoje com a entrega." Ele negou que o episódio possa gerar "rusgas" nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos.
Para o presidente Lula, a ação demonstra que "tudo o que foi acertado conosco --Brasil e Turquia-- está começando a ser cumprido agora". "Depois da carta, vêm as negociações com a AIEA, vem o depósito de urânio na Turquia e, depois, o prazo para que o Irã receba o urânio enriquecido", disse Lula em seu programa de rádio.
Apesar desse acordo, os Estados Unidos conseguiram convencer na semana passada a China e a Rússia a apoiar um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU para impor novas sanções ao Irã.
Sanções em xeque
Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil também expressou "satisfação" com a iniciativa do governo de Mahmoud Ahmadinejad.
"O governo brasileiro manifesta a expectativa de que esse primeiro passo para a implementação da Declaração de Teerã ajude a construir um ambiente de confiança e contribua para uma solução negociada sobre a questão do programa nuclear iraniano", acrescentou o comunicado.
Assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia afirmou também nesta segunda-feira acreditar que o gesto do governo iraniano reduz as razões das potências ocidentais para a aprovação de novas sanções.
"O Conselho de Segurança é composto por grandes países e pessoas que têm racionalidade, que saberão entender que está aberta uma possibilidade para começar a solução pacífica de um tema que tem angustiado a humanidade", comentou.
Para o assessor, se cumprido, o acordo fechado entre Brasil, Turquia e Irã criará um "mapa do caminho" para a solução do tema. "Se os EUA ou outro país quiserem discutir outros passos, têm que partir do suposto de que um primeiro passo foi dado."
Para ele, entretanto, seria natural o Irã abandonar os compromissos alcançados com Brasil e Turquia se o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma nova rodada de sanções.
"Se o acordo não for aceito e se aplicar sanções, acho normal. Qualquer país faria o mesmo. O espaço para negociar já está criado, simplesmente se trata agora de negociar."
Turquia e Brasil --membros temporários do Conselho de Segurança da ONU-- alegam que o acordo seria motivo suficiente para suspender, ao menos por enquanto, a discussão sobre novas sanções à República Islâmica. No entanto, potências ocidentais dizem que o Irã aceitou o acordo apenas para ganhar tempo contra novas sanções.
Prosseguimento ao acordo
No sábado (22) um parlamentar iraniano anunciou que o país pretende levar adiante o acordo feito com o Brasil e a Turquia para a troca de combustível nuclear, apesar da proposta para novas sanções contra o país na ONU (Organização das Nações Unidas).
"O Irã está comprometido com a promessa que fez e quer torná-la operacional e vai submeter o acordo à AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica]", afirmou Alaeddin Boroujerdi, presidente de comitê parlamentar de Relações Exteriores e Segurança Nacional, segundo a agência de notícias IRNA.
"A propaganda dos norte-americanos não terá efeito na decisão iraniana. Pedimos aos países favoráveis à resolução contra o Irã para não serem manipulados pelos EUA", afirmou.
O Ocidente teme que o Irã pretenda desenvolver armas nucleares, mas o Irã afirma que o seu programa é para fins pacíficos.
Turquia, Brasil e Irã pediram uma suspensão das discussões sobre as sanções por causa do acordo de troca de combustível, mas as potências ocidentais suspeitam que o acordo seja uma tática iraniana para evitar ou postergar as sanções.
Teoricamente, o acordo seria uma garantia à comunidade internacional de que o Irã não está desviando urânio enriquecido para atividades bélicas. Mas a comunidade internacional avalia que, a esta altura, o estoque iraniano de urânio baixamente enriquecido já é bem maior do que 1.200 quilos, e que por isso ainda sobraria muito material para o Irã usar no suposto programa de armas nucleares.
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