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Premiê britânico considera ataque de Israel "completamente inaceitável"
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COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DA FRANCE PRESSE, EM LONDRES
O premiê britânico David Cameron considerou nesta quarta-feira que o ataque israelense efetuado na segunda-feira contra uma flotilha internacional com destino à Gaza foi "completamente inaceitável".
"Devemos ser claros em relação a isso, e devemos também lamentar a perda de vidas humanas", declarou Cameron durante a primeira sabatina a que foi submetido na Câmara dos Comuns depois de sua chegada ao poder em maio.
"Devemos assegurar que isso não aconteça nunca mais", disse o chefe de governo britânico, indicando que apresentou condolências por telefone ao primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan pelas vítimas turcas.
Segundo o Exército israelense, nove pessoas foram mortas e sete soldados ficaram feridos. Pelo menos quatro turcos foram mortos, de acordo com Ancara.
"Devemos fazer todo o possível através das Nações Unidas; a resolução 1860 é absolutamente clara sobre a necessidade de pôr fim ao bloqueio e de abrir Gaza", declarou Cameron.
A resolução 1860 foi adotada em janeiro de 2009, alguns dias após o início de uma ofensiva israelense em Gaza, que deixou mais de 1.400 mortos entre os palestinos e 13 do lado israelense.
"Os amigos de Israel -- e eu próprio me considero um amigo de Israel -- deveriam dizer aos israelenses que o bloqueio, na realidade, reforça o controle do Hamas sobre a economia e sobre Gaza, e que é de seu próprio interesse retirá-lo, permitindo a passagem de produtos essenciais", acrescentou.
Em uma declaração feita aos deputados britânicos em meio à sessão de perguntas, o ministro das Relações Exteriores William Hague ressaltou a "falta de preparação" da operação israelense.
"Unimos-nos à condenação internacional de uma operação que não foi de autodefesa, mas de defesa de uma política enfraquecida", frisou.
O Reino Unido está "muito preocupado com a captura de cidadãos britânicos em águas internacionais", também considerou Hague, indicando que 37 britânicos estavam na flotilha.
Ele pediu a Israel que "aja com retidão e em conformidade com suas obrigações internacionais" em Gaza, onde a situação é "inaceitável e não viável", considerou.
"As restrições em Gaza deveriam ser retiradas (...) porque isso é uma tragédia", acrescentou.
Abusos
Dois dias após Israel ter atacado a "Frota da Liberdade", matando nove tripulantes, mais de cem ativistas foram deportados para a Jordânia. Depois de passarem dois dias detidos em prisões israelenses, os cidadãos de 13 países relataram supostos abusos do governo de Israel na prisão.
Ao chegar à Jordânia, os ativistas relataram que durante os dois dias em que estiveram detidos em prisões israelenses não receberam água nem comida, foram impedidos de dormir e não puderam ter acesso a banheiros.
Mais cedo, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse que o ataque configura "terrorismo de Estado".
"Os israelenses exageraram e humilharam a todos nós -- mulheres, homens e crianças", disse o parlamentar kuaitiano Walid al Tabtabai, que estava a bordo de um dos navios com ativistas de países muçulmanos.
"Eles foram brutais e arrogantes, mas nossa mensagem de que o bloqueio a Gaza é injusto e deveria ser levantado imediatamente chegou aos quatro cantos do mundo", acrescentou.
De acordo com o parlamentar "não havia uma única arma com os passageiros a bordo dos navios" da frota humanitária.
O parlamentar kuaitiano faz parte de um grupo de 123 pessoas oriundas de 13 países que chegaram hoje à Jordânia, de ônibus, após deportação da prisão em Israel.
A agência oficial jordaniana Petra informou a deportação de 126 pessoas que já haviam chegado na Jordânia.
Os ativistas teriam cruzaram a fronteira pela ponte Allenby. Além de jordanianos, o grupo inclui cidadãos do Bahrein, Kuwait, Marrocos, Síria, Argélia, Omã, Iêmen e Mauritânia, assim como da Indonésia, Paquistão, Malásia e Azerbaijão.
Da Jordânia, os ativistas devem partir de volta para seus países de origem.
O governo de Israel confirmou ainda a liberação de 50 turcos que aguardam serem transportados por voos especiais enviados pela Turquia, no Aeroporto Internacional Ben Gurion, de Tel Aviv. Outros turcos foram levados para este aeroporto da prisão de Beersheva, no sul de Israel.
Quarenta e oito ativistas permanecem hospitalizados. Israel também começou a repatriar as famílias do pessoal diplomático de Ancara.
Segundo a rádio oficial israelense cerca de 50 familiares do pessoal do consulado e embaixada de Israel na capital turca foram chamados de volta à Jerusalém, como medida de segurança após os protestos na Turquia.
Muitos dos ativistas relataram terem sido privados de água e comida, e afirmaram que não puderam ter acesso a banheiros e foram impedidos de dormir.
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