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Índia condena sete por desastre tóxico de Bhopal que matou milhares em 1984
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DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Um tribunal local de Bhopal (centro da Índia) declarou nesta segunda-feira (7) culpados os sete acusados pelo vazamento tóxico de 1984 da companhia Union Carbide nessa cidade, para muitos a pior catástrofe industrial da história.
O juiz Mohan P. Tiwari condenou os acusados por terem "causado mortes com negligência" e por "homicídio culposo sem grau de assassinato", a dois anos de prisão.
A corte também multou a ex-unidade indiana da companhia americana em 500 mil rúpias (cerca de US$ 10,6 mil).
Entre os condenados estão o principal responsável naquele momento da filial indiana da companhia, Keshub Mahindra, que já tem 85 anos. Todos os sentenciados são de nacionalidade indiana e eram altos executivos da empresa na época do acidente.
Ainda se desconhece se a sentença afeta o americano Warren Anderson, ex-presidente de Union Carbide, que está foragido da justiça indiana e que não compareceu aos interrogatórios do caso, iniciados há 23 anos.
Acidente tóxico
No dia 3 de dezembro de 1984, cerca de 40 toneladas de metisocianato provenientes da fábrica da empresa encheram o ar dos bairros próximos com efeitos devastadores.
Cerca de 3.000 pessoas morreram imediatamente, segundo a Corte Suprema da Índia, e desde então, de acordo com várias organizações médicas, até 25 mil pessoas morreram vítimas das sequelas do vazamento ou da posterior poluição na região.
As autoridades de Bhopal tinham proibido para hoje as reuniões de mais de quatro pessoas em um raio de um quilômetro ao redor do tribunal, prevendo incidentes, depois que várias vítimas pediram no domingo a pena de morte para os acusados.
As associações de vítimas qualificaram hoje a decisão do juiz como uma "injustiça total" e anunciaram que apelarão da sentença a cortes superiores, na busca de penas maiores.
"O máximo que podem conseguir são dois anos de prisão e cinco mil rúpias de multa (cerca de US$ 105) para a liberdade pagando uma fiança. Foi uma bofetada para todos e uma decisão vergonhosa", disse por telefone a ativista Rashida Bee, da associação Chingari.
O tribunal examinou durante as mais de duas décadas de julgamento as declarações de 178 testemunhas da acusação e oito da defesa, e elaborou um total de 3.008 documentos.
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