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EUA cobram Brasil e Turquia a explicarem voto contra sanções ao Irã
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Os Estados Unidos disseram respeitar o "ponto de vista diferente" do Brasil e da Turquia sobre as novas sanções ao Irã, mas cobraram explicações sobre o voto contrário dado hoje no Conselho de Segurança da ONU.
"Respeitamos o fato de que eles tenham um ponto de vista diferente sobre o impacto das sanções", declarou em uma coletiva de imprensa o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley. No entanto, "a Turquia e o Brasil vão precisar explicar o significado de seus votos neste momento", acrescentou.
O Brasil e a Turquia defendiam um acordo negociado com o Irã sobre a troca de combustível nuclear em território turco, mas ele foi recebido com receio pelas grandes potências.
Crowley disse, no entanto, que o governo americano "respeita" que o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tenham ido pessoalmente para Teerã em maio para negociar com o líder iraniano, Mahmud Ahmadinejad.
O porta-voz acrescentou ainda que, apesar dos votos contra, "não existe desacordo em relação ao perigo representado por um programa nuclear iraniano sem verificação e, ainda, sobre a necessidade de que o Irã cumpra com suas obrigações internacionais".
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse mais cedo que o Irã deve ficar mais cada vez mais isolado enquanto o governo iraniano "seguir ignorando" as regras internacionais do TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear).
Em visita à Colômbia, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que o Brasil e a Turquia podem ter um papel importante em futuras iniciativas diplomáticas com Teerã.
"No atual impasse diplomático com o Irã, eu acho que a Turquia e o Brasil continuarão a ter um importante papel", disse.
Ela também adicionou que os dois países emergentes podem ter votado não as sanções para "deixar as portas abertas" no Irã.
Aprovação
Apesar de Brasil e Turquia votarem contra a resolução que impõe novas sanções ao Irã --acusado de buscar tecnologia nuclear com fins militares-- o documento foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, com 12 votos a favor.
Na abertura da sessão, que começou com mais de uma hora de atraso, às 12h15 (horário de Brasília), a embaixadora brasileira da ONU, Maria Luiza Viotti, afirmou que, "na nossa visão", a resolução "atrasará, em vez de acelerar, uma solução para a questão".
O Líbano se absteve de votar. Os outros 12 países do Conselho de Segurança foram favoráveis, aprovando a quarta rodada de sanções contra o Irã desde 2006.
Em discurso durante a sessão, que acontece na sede da ONU em Nova York, a embaixadora americana, Susan Rice, voltou a elogiar a iniciativa de brasileiros e turcos de chegarem a um acordo. "O Brasil e a Turquia trabalharam duro", afirmou Rice, "o que reflete as boas intenções de seus líderes".
No entanto, disse, o acordo alcançado com o Irã no dia 17 de maio, na tentativa de evitar as sanções, "não responde às questões fundamentais" que geram desconfiança nos americanos, o que fez com que a resolução fosse necessária.
"Estamos nesse ponto porque o governo do Irã escolheu violar as regras da agência nuclear. Não suspendeu o enriquecimento de urânio e outras atividades nucleares", discursou Rice.
Ela disse ainda que as sanções "não são direcionadas ao povo do Irã", mas que "o governo escolheu um caminho que o levará ao isolamento". "Como todas as nações, o Irã tem direitos. Mas também responsabilidades. [...] Agora, o Irã deve escolher um caminho mais sábio."
A representante disse ainda que os Estados Unidos estão "prontos" para retomar um diálogo com a República Islâmica assim que essas medidas forem implementadas. "Esperamos poder mostrar ao Irã o quanto o país tem a ganhar caso comece a agir de maneira responsável, respeitando as regras internacionais", concluiu.
O Irã desafiou continuamente resoluções do Conselho de Segurança e da AIEA, dando prosseguimento ao seu programa de enriquecimento de urânio e construindo mais instalações nucleares do que o permitido pelas regras internacionais às quais havia se submetido.
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