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Chancelaria russa nega que sanções da ONU impeçam venda de mísseis ao Irã
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COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Após uma fonte da indústria de armamentos russa ter indicado que as novas sanções impostas ao Irã levariam ao congelamento da venda de mísseis, a chancelaria do país informou em comunicado que as punições da ONU (Organização das Nações Unidas) não impedem a Rússia de colocar em prática um acordo que prevê a venda de mísseis à Teerã. Se concretizada, a venda dá ao Irã a capacidade de proteger suas instalações nucleares.
O porta-voz da chancelaria, Andrei Nesterenko, se pronunciou depois que a agência de notícias Interfax publicou declarações da fonte das indústria bélicas dizendo que a Rússia congelaria seu contrato para vender mísseis S-300 ao Irã devido às medidas anunciadas ontem no Conselho de Segurança da ONU.
Mikhail Dmitriyev, chefe do Serviço Federal para Cooperação Técnica e Militar, que controla o comércio de armamentos, disse que a resolução aprovada pela ONU não afeta a venda dos mísseis S-300.
"A Rússia não está, de maneira alguma, afetada pela resolução do Conselho de Segurança da ONU com relação à venda de sistemas de defesa aérea S-300 ao Irã, e o trabalho no contrato está progredindo", disse Dmitrieyev, citado pela agência de ITAR-Tass.
Ele disse ainda que a resolução imposta ao Irã deixa "um vasto campo" em aberto para outros tipos de cooperação entre a Rússia e o Irã na esfera militar.
"As restrições que estão sendo introduzidas referem-se somente às armas ofensivas, mas há também outros assuntos nos quais continuaremos trabalhando com o Irã", complementou.
A Rússia já vendeu outros mísseis de defesa aérea, aeronaves e armas ao Irã.
O país também está construindo a primeira usina nuclear iraniana ao sul do porto de Bushehr, que deve entrar em operação em agosto. O porta-voz da chancelaria russa disse que a resolução da ONU não afetará o projeto da usina.
Nesterenko e Dmitriyev falaram após a agência Interfax ter citado uma fonte anônima indicando que o governo russo teria que "congelar" as vendas de mísseis ao Irã devido às sanções impostas pela ONU.
Retaliação
A chancelaria da Rússia também avisou que o governo deve retaliar a ONU caso as punições impostas ao Irã ocasionem sanções e impedimentos também a companhias ou indivíduos russos.
Dois institutos científicos russos e o fabricante estatal de armamentos estavam sancionados de acordo com as resoluções contra a República Islâmica que já estavam em vigor, mas em busca do apoio de Moscou ao novo pacote de sanções, Washington decidiu levantar estas medidas.
Em resposta a declarações de outros países, que defendem sanções ainda mais severas do que as propostas pela ONU, a Rússia deixou claro que haverá retaliação, sem fornecer maiores detalhes.
AIEA
Mais cedo a emissora de TV estatal iraniana anunciou que o país deve rever sua relação com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em resposta às sanções que sofreu no Conselho de Segurança da ONU.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo parlamento de Comissão de Segurança Nacional e Política Externa, liderada por Alaeddin Boroujerdi, depois que o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã sobre seu programa nuclear.
Boroujerdi disse que, no domingo, os legisladores vão 'começar uma revisão das relações do Irã' com a AIEA.
Ele não especificou quais as opções seriam discutidos, mas, de acordo com a agência de notícias Associated Press, uma revisão pode resultar na restrição do acesso de inspetores da AIEA às instalações nucleares iranianas.
Em resposta à nova rodada de sanções, o presidente da República Islâmica, Mahmoud Ahmadinejad, disse que elas são "sem valor algum" e "devem ir direto para a lata do lixo, como um lenço usado".
Ban Ki-moon
Ainda na quarta-feira (9) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao Irã que cumpra com suas obrigações internacionais e coopere plenamente com a AIEA, segundo comunicado divulgado pelo porta-voz das Nações Unidas, Martin Nesirky.
"Esses são os passos necessários para restaurar a confiança da comunidade internacional sobre os fins exclusivamente pacíficos do programa nuclear iraniano", disse o porta-voz.
| Tolga Bozoglu/Efe - 22.mai.10 |
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| Secretário-geral da ONU pede que o Irã cumpra com suas obrigações para retomar confiança |
Em sessão realizada nesta quarta-feira em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã devido ao seu programa nuclear. O documento foi aprovado com 12 votos a favor, uma abstenção (do Líbano) e dois votos contra (Brasil e Turquia).
As novas sanções devem vetar investimentos exteriores iranianos em atividades e instalações relacionadas com a produção de urânio, serão estabelecidas restrições na venda de armas convencionais ao Irã. Além disso, o país será proibido de fabricar mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares.
Também deve haver novas restrições às operações financeiras e comerciais com o Irã, além do reforço do regime de inspeções das cargas dos navios e aviões iranianos para evitar que burlem o embargo internacional.
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