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23/06/2010 - 07h49

Brasil é listado em grupo de exportadores de ecstasy

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ITALO NOGUEIRA
DO RIO

O Brasil entrou em 2010 na lista dos exportadores de ecstasy. Segundo informações passadas à UNODC (escritório da ONU sobre drogas e crimes), o país foi ponto de saída da droga para a Europa.

O volume da rota é irrelevante comparado ao trajeto usual das drogas sintéticas: saem de Europa e Canadá para países em desenvolvimento. Mas é a primeira vez que se registra a sua existência.

A Polícia Federal já obteve relatos sobre o tema, mas sem detalhes. Delegados brasileiros pediram informações sobre local da apreensão ou prisão que revelasse o trajeto, mas não houve resposta.

Relatório da Jife (Junta Internacional Fiscalizadora de Entorpecentes da ONU) de março deste ano indicou pela primeira vez a rota. O Brasil foi apontado como origem de comprimidos apreendidos na Holanda e na Suécia.

Desenvolvimento

A PF ainda recebeu informe sobre apreensão na França. Somados os casos, a droga localizada chega a 9,1 kg. A nova rota aparecerá mais uma vez no relatório da UNODC a ser divulgado nesta quarta-feira (23).

"Na medida em que somos um país em desenvolvimento, temos planta química, pessoas capacitadas na área e desvio de componentes de produção, temos o cenário pronto dos países desenvolvidos", disse o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

A Europa é, desde os anos 80, o maior produtor e exportador da droga. Mas a fabricação se espalhou na última década. No Brasil, dois laboratórios com significativo potencial de produção foram fechados em 2008 e 2009.

O último, fechado em Imaruí (SC), produziu dois milhões de comprimidos em pouco mais de um ano, segundo peritos. O volume é o triplo dos 620 mil apreendidos pela PF de 2002 a 2009.

Antes apenas destino da droga, o Brasil usa em fóruns o ecstasy como contraponto às críticas de países desenvolvidos que reclamam da produção de cocaína e maconha na América do Sul.

Enquanto os europeus e americanos se colocam como "vítimas" dessas drogas "naturais", os brasileiros se posicionavam da mesma forma em relação às sintéticas.

 

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