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Dissidente cubano Fariñas encerra greve de fome de 135 dias
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Atualizado às 15h31.
O dissidente cubano Guillermo Fariñas decidiu encerrar a greve de fome que mantinha há 135 dias, depois da confirmação de que Cuba vai libertar 52 prisioneiros políticos. A informação foi divulgada por uma colega do dissidente, Gisela Delgado, citada pelas agências de notícias.
Delgado, que estava no grupo de opositores do governo que foi à Santa Clara visitar Fariñas, disse a repórteres do lado de fora do hospital que ele está sendo tratado e que encerrou a greve de fome "desde este momento".
| Desmond Boylan-05mar.10/Reuters |
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| Após mais de quatro meses em greve de fome, dissidente cubano encerra protesto com libertação de 52 presos |
O dissidente iniciou a greve de fome após a morte do preso político Orlando Zapata, como forma de exigir a liberdade de 25 opositores presos doentes.
Ele próprio teve sua própria saúde muito debilitada pela falta de ingestão de alimentos. Um médico informou no fim de semana passado que o dissidente cubano estava em "perigo potencial de vida" devido a um coágulo na veia jugular que complicou sua saúde.
O temor é de que o coágulo possa ir direto ao coração e daí aos pulmões, e provocar uma embolia pulmonar, o que pode levar a morte. Essa afecção é comum em pacientes que como ele recebe alimentação parenteral prolongada mediante cateter, já que os riscos de infecções no sangue aumentam.
Há três dias, o próprio Fariñas divulgou uma mensagem em que se dizia "consciente" da possibilidade de uma morte próxima, pela qual apontou Fidel e Raúl Castro como responsáveis.
Esta é a 23ª greve de fome do jornalista e psicólogo, Fariñas, 48, que já passou 11 anos na prisão. Ele considerava-se "um filho da revolução", já que seu pai lutou com Che Guevara no Congo, em 1965, e ele mesmo serviu na campanha de Angola, em 1981. Segundo o próprio, se tornou opositor em 1989, depois que o então popular general Arnaldo Ochoa, condenado por corrupção e narcotráfico, foi fuzilado.
LIBERTAÇÃO
O fim da greve de fome de Fariñas foi resultado da libertação de 52 presos políticos, em acordo entre o Arcebispado de Havana e o governo cubano.
Em comunicado divulgado mais cedo, a Igreja cubana informou que nas próximas horas serão libertados os presos Nelson Molinet, Claro Sánchez, José Daniel Ferrer García, Marcelo Manuel Cano Rodríguez, Ángel Juan Moya Acosta e Luis Enrique Ferrer García.
Todos os seis são presos detidos na Primavera Negra de 2003 e considerados como vítimas de perseguição política pela Anistia Internacional. Eles serão deslocados para prisões próximas a seus domicílios.
O governo de Cuba também informou ontem à Igreja Católica da libertação iminente de cinco presos políticos, cujas identidades não serão reveladas até o momento em que eles serão levados para a Espanha.
Os outros prisioneiros devem ser libertados gradualmente, dentro de quatro meses. Todos fazem parte do chamado "Grupo dos 75" --condenados a penas de até 28 anos de prisão na onda repressiva da Primavera Negra de 2003.
Esta decisão inscreve-se no diálogo aberto entre o regime cubano e a Igreja Católica e que foi respaldado e acompanhado pelo governo da Espanha, com a visita do ministro espanhol de Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, à ilha com esse propósito.
Todos os opositores que forem libertados neste processo poderão ir para Espanha com suas famílias, se assim desejarem, como anunciou Moratinos na quarta-feira.
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