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Obama presta homenagem às vítimas de massacre em Srebrenica
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DA FRANCE PRESSE, EM WASHINGTON
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou neste domingo o massacre de Srebrenica de "mancha em nossa consciência coletiva".
Ele exigiu, em nome do povo americano, a detenção do general servo-bósnio, Ratko Mladic, que passou à história como um dos culpados pela matança e pelo sangrento cerco a Sarajevo durante a guerra da Bósnia (1992-1995).
Veja galeria de fotos das homenagens às vítimas de Srebrenica
"Por ocasião do 15º aniversário do genocício de Srebrenica, e em nome dos Estados Unidos, somo minha voz à daqueles que lamentam a grande perda e refletem sobre a tragédia inimaginável," disse Obama.
"O horror de Srebrenica é uma mancha em nossa consciência coletiva," afirmou, numa declaração divulgada em Washington, mas também lida durante a cerimônia pelas vítimas no cemitério perto de Srebrenica.
Acusado de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) da extinta Iugoslávia em 1995, o general Mladic, de 66 anos, é objeto de um mandato de detenção internacional desde 1996.
Ele é acusado, também, de ter comandado os 44 meses de cerco a Sarajevo que matou 10.000 pessoas em julho de 1995 e do massacre de 8.000 muçulmanos, homens e crianças, em Srebrenica.
Mladic é considerado um dos principais artífices da política de "limpeza étnica" na Bósnia, junto com o ex-presidente servo-bósnio Radovan Karadzic.
VINGANÇA
Nascido em 12 março de 1943 na cidade de Bozinovici, leste da Bósnia, Mladic passou a infância traumatizado pela morte do pai, assassinado pelas milícias croatas pró-nazistas ("ustachis") quando ele tinha apenas dois anos.
O menino, que com o passar dos anos chegaria a general, desenvolveu à medida que crescia um imenso ódio contra os ustachis e os muçulmanos.
Ávido por vingança, converteu-se em defensor do povo sérvio, que considerava ameaçado de genocídio e condenado a desaparecer ante a entrada do Islã em território europeu, defendendo com capa e espada a idéia de uma "grande Sérvia".
| Dado Ruvic/Reuters |
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| Mulher muçulmana chora sobre o caixão de um parente, entre outros 774 corpos recém-identificados do massacre |
Como líder das milícias separatistas sérvias na Croácia, em 1992, depois da proclamação da Republika Srpska na Bósnia, foi nomeado comandante das forças sérvias da Bósnia.
Amparando-se na máxima de que "as fronteiras sempre foram traçadas com sangue e os Estados, delimitados com túmulos", Mladic permaneceu imperturbável e sem piedade à frente do cerco de Sarajevo.
Em julho de 1995, as tropas sob as ordens do general se apoderaram do enclave muçulmano de Srebrenica, que estava teoricamente sob proteção das forças da ONU, e fizeram estragos.
No ano seguinte, por uma ordem de detenção internacional, Mladic foi destituído, tendo se entrincheirado em seu feudo de Han Pijesak, uma base militar próxima a Sarajevo, e dali se deslocou a Belgrado, onde desfrutou de uma vida aprazível até a queda no 2000 do regime de Slobodan Milosevic.
Seguiram-se anos de desmentidos oficiais sobre a estada do general na Sérvia até que, em 2005, um relatório dos serviços secretos de Belgrado revelou pela primeira vez que tinha se escondido até junho de 2002 em território sérvio graças à ajuda de oficiais que o encobriam.
Em círculos nacionalistas, ele era considerado um "herói".
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