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15/07/2010 - 10h37

Chefe de gabinete argentino diz que país se colocou na "vanguarda" do Direito

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O chefe de gabinete argentino, Aníbal Fernández, declarou que o país se colocou "na vanguarda da reivindicação dos direitos" dos homossexuais na América Latina, depois que o Senado aprovou nesta quinta-feira o projeto de lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

"O que o Congresso não se animou a fazer nunca, e o Executivo tampouco havia enviado projetos com estas características. Hoje, entre todos, demos uma lição", garantiu ele nesta quinta-feira à rádio Continental, citado pela agência oficial Télam.

Leo La Valle /Efe
Defensores do casamento gay aguardam em vigília pela aprovação da lei no Senado da Argentina
Defensores do casamento gay aguardam em vigília pela aprovação da lei no Senado da Argentina

A lei, que já havia sido sancionada pela Câmara de Deputados, foi validada pelos senadores nesta madrugada, com 33 votos a favor, 27 contra e três abstenções, depois de mais de 14 horas de discussões.

Fernández apontou que com a aprovação da lei foram reivindicados direitos "para uma boa parte da sociedade, que não só via frustrada sua possibilidade [de se casar], mas que também sofria por este tema".

"Nós fomos precursores nesta decisão, com a cabeça, a altura política de pessoas de todos os partidos políticos, porque foram capazes de levantar sua mão para decidi-lo", acrescentou o chefe de Gabinete, assinalando que "todos concordaram que era necessário fazer uma mudança".

SOLUÇÃO DEFINITIVA

O funcionário rechaçou que houvesse um problema religioso entremeado nas discussões sobre a norma, apesar de católicos terem entrado em conflito com manifestantes gays ontem, em frente ao Congresso em Buenos Aires.

"O que estávamos discutindo era a necessidade de chegar a esse setor, ou a este segmento, que durante muitos anos sofreu, padeceu esta situação por não ter uma reivindicação de seus próprios direitos, e hoje encontra uma solução definitiva com a sanção da lei", continuou.

Editoria de Arte/Folhapress

Com a aprovação no Senado e na Câmara, o projeto de lei segue agora para o Executivo. A presidente Cristina Kirchner, em visita à China, havia declarado anteriormente que não vetaria a norma caso ela fosse validada no Parlamento.

Se o texto for sancionado em todas as suas instâncias, a Argentina se tornará o primeiro país da América Latina a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

LEI HISTÓRICA

Após confrontos entre grupos pró e contra e 14 horas de discussão, a Argentina se tornou o primeiro país da América Latina e o décimo do mundo a autorizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em uma sessão tida como histórica, o Senado aprovou na madrugada desta quarta-feira o projeto de lei que deve alterar o Código Civil argentino.

Na Argentina, a Lei de União Civil da cidade de Buenos Aires, aprovada no final de 2002, foi o primeiro antecedente no país. Agora, contudo, o país se torna o primeiro na América Latina a reconhecer o casamento gay nacionalmente.

O projeto, caso seja sancionado, garante a gays e lésbicas os mesmos direitos e responsabilidades de casais heterossexuais. Isto inclui muito mais direitos do que as uniões civis --legalizadas também no Brasil--, incluindo adoção e direito a herança.

"Casamento garante os mesmos requisitos e efeitos independentemente das partes contraindo serem do mesmo sexo ou de sexos diferentes", diz o projeto.

PROTESTOS

O resultado da votação no Senado levou à euforia de manifestantes favoráveis ao matrimônio --que aguardavam em vigília na frente da Casa dos Congressos.

O momento mais tenso, relata o repórter Gustavo Hennemann, da Folha de S.Paulo, ocorreu ainda durante a tarde desta quarta-feira, quando painéis que defendiam o casamento heterossexual foram arrancados com facas por militantes a favor do projeto. O grupo de religiosos teve de ser retirado pela polícia depois do incidente.

Leo La Valle-14jul.10 /Efe
Antes da aprovação, ativistas marcham pelas ruas de Buenos Aires para pedir a passagem do projeto de lei
Antes da aprovação, ativistas marcham pelas ruas de Buenos Aires para pedir a passagem do projeto de lei

A disputa de palavras e argumentos também dividiu os senadores na Câmara Alta. A senadora governista Sonia Escudero afirmou rejeitar o casamento homossexual por considerar que "a relação homem-mulher é fértil, a relação homossexual é estéril, e como é diferente é preciso dar-lhe uma regulação diferente".

No extremo oposto, Luis Juez, da opositora Frente Cívica, optou por apoiar o governo porque, mesmo cristão, entende que "nem na Bíblia há um parágrafo onde Cristo fosse contra os homossexuais". Ele lembrou que o código civil é "uma instituição laica, em um país laico".

Apenas quatro cidades argentinas admitiam a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Desde dezembro, pelo menos oito casais homossexuais se casaram no país mediante recursos judiciais, mas alguns enlaces foram posteriormente cancelados.

 

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