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16/07/2010 - 17h56

Após crise e troca de acusações, Chávez diz que líder da Colômbia é "mafioso"

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Três semanas antes de deixar o governo da Colômbia, o presidente Álvaro Uribe agravou a crise diplomática com a Venezuela ao denunciar que Caracas esconde guerrilheiros em seu território. Em resposta, Hugo Chávez convocou seu embaixador em Bogotá, negou as acusações, exigiu provas e afirmou que o líder colombiano é "mafioso".

"É uma patranha do governo burguês da Colômbia, governo apátrida da Colômbia. Não vou cair em provocações", declarou o venezuelano em um ato transmitido nesta sexta-feira em rede nacional de rádio e TV.

Fernando Llano/AP
Em reação, Chávez convocou seu embaixador em Bogotá e disse que o presidente colombiano é "mafioso"
Em reação, Chávez convocou seu embaixador em Bogotá e disse que o presidente colombiano é "mafioso"

Essa ação "obedece ao desespero de Uribe, que está de saída, mas não significa que vamos ficar calados", continuou Chávez, referindo-se ao mandato do presidente colombiano, que será encerrado em 7 de agosto. Ele "é um mafioso e é capaz de qualquer coisa porque está cheio de ódio", completou.

RETOMADA DE RELAÇÕES

As relações diplomáticas entre Colômbia e Venezuela foram "congeladas" em julho de 2009 por Caracas, depois do anúncio de um acordo de cooperação militar entre Bogotá e Washington que Chávez considerou uma "ameaça para a segurança regional".

Chávez indicou que as acusações de Uribe constituem um obstáculo a qualquer iniciativa do presidente-eleito na Colômbia, Juan Manuel Santos, de tentar retomar as relações bilaterais entre os dois países.

"Isso que está ocorrendo é o desespero do grupo da extrema-direita que rodeia Uribe para tentar gerar um grande conflito e impedir Santos de voltar a estabelecer relações respeitosas com sua irmã Venezuela", afirmou Chávez.

"Acreditamos sinceramente que o novo governo da Colômbia tem agora um grande obstáculo que é o velho governo", afirmou o presidente.

Chávez disse ainda esperar que o "novo presidente da Colômbia honre seu posto (...) apesar de seu passado" e assegurou que o restabelecimento das relações bilaterais é "bom" para todos.

ACUSAÇÕES

Ainda na quinta-feira o ministério da Defesa da Colômbia anunciou à imprensa que possuía "provas contundentes" da presença de líderes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) no país fronteiriço.

Segundo o titular da pasta, Gabriel Silva, estava "confirmada" a presença de diversos guerrilheiros, como Carlos Marín Guarín, apelidado de Pablito, do ELN, e Germán Briceño, o Grannobles, e Jorge Briceño, chamado de Mono Jojoy, estes dois últimos das Farc, na Venezuela.

William Fernando/AP
O governo de Álvaro Uribe acusou a Venezuela de esconder líderes das guerrilhas colombianas Farc e ELN
O governo de Álvaro Uribe acusou a Venezuela de esconder líderes das guerrilhas colombianas Farc e ELN

Chávez destacou ainda que espera manter melhores relações com o futuro presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e disse esperar ainda que ele não siga as linhas políticas da atual administração, já que são "evidentes" as diferenças entre ambos.

"A Venezuela está com as mãos abertas para receber o novo governo, mas estamos em alerta e esperamos que a extrema direita da Colômbia esteja realmente de saída", enfatizou Chávez.

Antes, a Chancelaria venezuelana já havia repudiado a denúncia, considerando-a uma "arremetida" de Bogotá e afirmou que em ocasiões anteriores foi verificada a falsidade das acusações relacionadas a presença de guerrilheiros no país. Em sinal de protesto, Caracas chamou seu embaixador no país vizinho, Gustavo Márquez, para consultas.

EMBAIXADOR

O governo venezuelano convocou seu embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez, e nas próximas horas deverá anunciar "medidas políticas e diplomáticas" em resposta às "agressões" feitas pela administração do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

"Chamamos o embaixador Gustavo Márquez para que venha a consultas em Caracas e se una à avaliação de uma série de medidas políticas e diplomáticas que serão tomadas nas próximas horas para rejeitar a agressão do governo colombiano", disse em entrevista coletiva o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

"O que Uribe quer com isto? Por que a poucos dias de entregar a Presidência arremete com todo seu ódio, com seus falsos escândalos midiáticos, contra a Venezuela?", questionou Maduro.

O chanceler venezuelano afirmou que, em seu discurso, Silva "não apresentou nenhum elemento que pudesse ter algo de veracidade, precisamente em um momento no qual parecia estar havendo um processo de aproximação com o novo governo da Colômbia".

Na opinião de Maduro, "Uribe decidiu minar a possibilidade de um avanço. Nos reunimos com a embaixadora em Caracas e entregamos uma nota oficial de protesto rejeitando as mentiras montadas pelo governo de Uribe".

O chanceler disse ainda que "todas as vezes" em que Bogotá fez denúncias sobre a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano, tanto os militares quanto a polícia "comprovaram a falsidade das acusações".

Anteriormente, a chancelaria venezuelana rejeitou em um comunicado a "nova arremetida do atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe Vélez, em seu afã por levar a termo o trabalho de destruição das relações colombianas-venezuelanas que empreendeu com doentia obsessão nos últimos anos".

LÍDERES

De acordo com uma nota oficial divulgada ontem pela Colômbia, os líderes seriam Iván Márquez; Rodrigo Granda, conhecido como Ricardo; Timoleón Jiménez, conhecido como Timochenko; e Germán Briceño, conhecido como Grannobles (das Farc); assim como Carlos Marín Guarín, conhecido como Pablito (do ELN)". Segundo a Presidência colombiana, também estão na Venezuela "outros integrantes do grupo terrorista ELN".

Iván Márquez é membro do secretariado (comando central) das Farc, e em 2007 foi recebido em Caracas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, quando este, a pedido de seu homólogo colombiano Alvaro Uribe, mediava uma troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos.

Rodrigo Granda, considerado o "chanceler" das Farc, foi libertado por Uribe em 2007 para facilitar essa tentativa de troca. Timoleón Jiménez também faz parte do secretariado das Farc e foi o encarregado de anunciar, em 2008, a morte por causas naturais de seu fundador, Manuel Marulanda "Tirofijo". Germán Briceño é o irmão do chefe militar das Farc, "Mono Jojoy".

 

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