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Amizade tende levar Brasil ao isolamento, aponta analista
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DA ANSA
A aproximação diplomática e comercial entre o governo brasileiro e países sem tradição democrática "cria uma visão negativa a respeito do Brasil" no cenário internacional, afirma à ANSA o especialista José Augusto Guilhon Albuquerque.
Para o analista, fundador do núcleo de relações internacionais da USP (Universidade de São Paulo), posturas como a que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tomou em relação aos irmãos Fidel e Rául Castro, de Cuba, por exemplo, "têm um custo muito grande".
"O Brasil tenta estabelecer uma porta de entrada, um bloqueio do isolamento [desses países]. Mas isso tem um custo grande, porque esses países não estão isolados por acaso", analisa Albuquerque.
Essa proximidade com países não democráticos ou com regimes questionados pela comunidade internacional "é oposta aos países democráticos na América Latina e América em geral", continua.
Ainda a respeito de Cuba, na visão de Albuquerque, a libertação dos 52 políticos cubanos anunciada recentemente pelo governo comunista -- possível após mediação da Igreja Católica e do governo da Espanha -- é uma ação pontual e ocorreu apenas com o objetivo de diminuir a pressão internacional sobre o governo cubano.
"Há uma pressão muito forte, sobretudo, da União Europeia, que tomou medidas de limitar ajudas a Cuba. O objetivo foi diminuir pressão. Nada que vai se estender para abertura maior, de liberdade intensa", afirma.
Questionado sobre a possibilidade de o Brasil se posicionar como o governo de José Luis Rodríguez Zapatero, em busca de soltar outros presos políticos da ilha -- estima-se que atualmente haja cerca de 160 --, o especialista acha "difícil", porque tal atitude significaria "reconhecer que há presos políticos em Cuba, e o próprio Lula diz que [eles] são bandidos".
"Hoje, o Brasil jamais será mediador entre Cuba e comunidade internacional", continua Albuquerque.
Como exemplo do posicionamento negativo do Brasil, o professor da USP aponta o amistoso com a seleção do Zimbábue, em 2 de junho passado, que ocorreu "sem razão esportiva, a não ser para dar fôlego a um dos regimes mais severos da África".
Na época, a imprensa africana criticou a presença da seleção brasileira, argumentando que o país estaria servindo de cabo eleitoral para Robert Mugabe, presidente reeleito em 2009 e que está há 30 anos no mesmo cargo.
A aproximação do Brasil com o Irã também é outro ponto que preocupa a comunidade internacional, já que as potências mundiais acusam a República Islâmica de desenvolver um programa nuclear com fins bélicos. O líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também é duramente criticado pela falta de liberdade e por outras ações contra a democracia.
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