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18/07/2010 - 09h08

Dois ataques contra milícia sunita deixam ao menos 46 mortos no Iraque

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Um novo ataque contra a milícia sunita Filhos do Iraque, também conhecida como Sahwa, que apoia as forças de segurança iraquianas, deixou ao menos três mortos e outros sete feridos no oeste do Iraque. Horas antes, um atentado suicida similar deixou ao menos 43 mortos.

O número de vítimas pode aumentar e a agência de notícias Associated Press já fala em ao menos 48 mortos nos dois ataques.

A polícia local informou que o segundo ataque foi realizado por um homem-bomba disfarçado com roupas do Exército. Ele invadiu uma reunião na sede da milícia, na cidade de Al Qaem, perto da fronteira síria, e abriu fogo contra os presentes. Os milicianos reagiram e conseguiram ferir o terrorista, que então detonou os explosivos.

Dois milicianos e um policial morreram, e seis pessoas ficaram feridas. A explosão causou ainda graves danos ao prédio.

As forças de segurança investigam como o terrorista conseguiu um uniforme militar e como conseguiu burlar as medidas de segurança e entrar na sede do Conselho em plena reunião.

Mais cedo, a milícia sofreu o pior ataque de sua história. Um homem-bomba, também disfarçado de militar, detonou os explosivos perto de um grupo de milicianos que esperava para receber seu salário.

"Havia mais de 150 pessoas sentadas no chão quando a explosão ocorreu. Eu corri pensando que era um homem morto", disse Uday Khamis, 24, enquanto aguardava tratamento no Hospital Mahmoudiyah. "Há mais mortos do que feridos", disse.

Entre as vítimas estão membros da milícia sunita e militares do Exército iraquiano. "Quarenta e três pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas quando um suicida se explodiu na entrada principal de uma base do Exército, onde membros dos Sahwa iam receber seu salário", declarou uma fonte do Ministério do Interior.

O ataque aconteceu em Radwaniya, antigo reduto da rede terrorista Al Qaeda, a 25 km a oeste de Bagdá.

A milícia Sahwa foi criada em outubro de 2006, na Província de Al Anbar, como parte da estratégia do então comandante das forças americanas no Iraque, David Petraeus, na luta contra a insurgência vinculada à Al Qaeda.

Elas são formadas por antigos insurgentes sunitas que passaram para a luta contra a Al Qaeda. Os milicianos foram financiados, num primeiro momento, pelos americanos, segundo uma estratégia de ação conjunta que contribuiu para reduzir a violência no país.

As milícias, que contam com 94 mil membros, passaram em janeiro de 2009 para controle do governo de Bagdá, mas seus dirigentes se queixam de ter sido abandonados pelas autoridades iraquianas.

Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques. Contudo, como a polícia e o Exército iraquianos, a milícia é um alvo constante dos insurgentes, que às vezes realizam campanhas de punição contra seus integrantes. Em abril passado, rebeldes disfarçados de militares assaltaram um povoado ao sul de Bagdá e mataram 25 pessoas, entre elas milicianos.

 

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