Publicidade

 

Publicidade

 

PUBLICIDADE

 
 
  Acompanhe a Folha.com no Twitter
20/07/2010 - 11h49

Onda de calor mata 500 na Rússia; Greenpeace culpa mudança climática

Publicidade

 

DE SÃO PAULO
DA REUTERS, EM MOSCOU

Grupos ambientais defenderam nesta terça-feira que a seca e a onda de calor na Rússia -- que causa grandes prejuízos à agricultura e já deixou ao menos 500 mortos -- são causadas pelas mudanças climáticas que aceleram o aquecimento do planeta.

"A onda de calor dos últimos dois meses é uma consequência das mudanças climáticas e especialistas do Greenpeace já encontraram provas disso. O governo da Rússia, de uma maneira ou de outra, terá que tomar providências para combater os efeitos das alterações do clima", disse a ONG em comunicado.

Veja galeria de imagens da onda de calor russa

Ativistas indicaram que os fenômenos deveriam ser causa de preocupação para o Kremlin, motivando o governo russo a tentar reduzir suas emissões de carbono, atualmente entre as mais altas do mundo.

Desde o fim de junho o centro da Rússia tem sofrido com uma onda de altas temperaturas e seca intensa. Atingindo recordes, os termômetros chegaram a marcar 40ºC durante vários dias.

Denis Sinyakov/Reuters
Russos aproveitam para nadar no rio Volga; ao menos 507 morreram devido à onda de calor no país
Russos aproveitam para nadar no rio Volga; ao menos 507 morreram devido à onda de calor no país

O calor inédito faz com que as pessoas busquem lagos, mares e rios para se refrescar, aumentando o risco de mortes por afogamento. O hábito nacional de beber vodka também contribui para os acidentes.

Somente nas últimas 24 horas ao menos 71 pessoas morreram afogadas no país, de acordo com o ministério de Situações de Emergência.

"Em um dia aconteceram 85 incidentes em ambientes aquáticos na Rússia, com a morte de 71 pessoas e o resgate de outras 20 com vida. É o maior número de pessoas mortas em um dia desde que começou a temporada de calor deste ano", indicou um porta-voz ministerial à agência "RIA Novosti".

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Além das mortes causadas por afogamento, as altas temperaturas e seca no país causam enormes perdas no setor de agricultura, o que já fez soar alertas nacionais para a questão.

De acordo com associações de agricultores, desde o fim de junho o calor já destruiu uma área de plantações do tamanho de Portugal.

Apesar de a seca dominar a pauta dos jornais e emissoras de rádio e TV por dias na Rússia, pouco se fala sobre as possíveis origens do fenômeno, acusam grupos ambientalistas como o Greenpeace.

De acordo com os grupos esta "apatia" tem permitido ao governo evitar qualquer comentário ou menção sobre uma potencial redução da emissão de carbono ou possíveis fatores climáticos envolvidos na seca e onda de calor.

O Greenpeace argumenta que o fenômeno atual foi causado e intensificado pela ausência de umidade na terra em importantes regiões de produção agrícola na Rússia, incluindo Volgogrado e Voronezh, atingidas por uma já inédita seca em 2009.

Para a ONG a neve que caiu no meio deste inverno não foi suficiente para devolver a umidade necessária ao solo, que permaneceu seco desde o ano passado.

RECORDES

Alexei Yablokov, chefe do movimento político Rússia Verde e conselheiro da Academia Russa de Ciências, disse que a onda de calor deste verão já quebrou todos os recordes.

"Isto está ligado ao aquecimento global, embora obviamente não se pode dizer que esta é a única coisa. Tais episódios são muito importantes para convencer as pessoas, mas eu não tenho certeza de que algo vá mudar rapidamente", disse.

O Serviço Nacional de Meteorologia (SNM) foi mais cético ao avaliar a seca, afirmando que apesar das estatísticas demonstrarem o aumento sistemático das temperaturas do inverno russo nos últimos anos, não h"á evidências suficientes para provar que o aquecimento global esteja alterando o clima da Rússia.

"Um episódio não é suficiente para provar a ligação com o aquecimento global", disse Dmitri Kiktev, chefe do SNM.

EMISSÔES

O presidente russo Dmitri Medvedev afirmou no ano passado que até 2020 o país reduziria as emissões de carbono entre 10 a 15% dos níveis de 1990.
Na verdade, isto significa um aumento de 30% dos atuais níveis já que os números caíram após o colapso da União Soviética, dizem grupos ativistas.

A Rússia foi o quarto maior emissor de dióxido de carbono no mundo em 2009, de acordo com relatórios da British Petroleum (BP).

Para a analista política Maria Lipman, do Carnegie Centre, Moscou ainda não considera que a onda de calor e as mortes e prejuízos causados possam causar pressão política para uma maior ação sobre as emissões.

"As alterações do clima nunca foram um grande assunto público na Rússia e há poderosos interesses em jogo que são contra qualquer forte mudança nas políticas", observou a analista.

 

Sobre a Folha | Expediente | Fale Conosco | Mapa do Site | Ombudsman | Erramos | Atendimento ao Assinante
ClubeFolha | PubliFolha | Banco de Dados | Datafolha | FolhaPress | Treinamento | Folha Memória | Trabalhe na Folha | Publicidade

Publicidade

 

Publicidade

 

Publicidade