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22/07/2010 - 15h17

Chávez coloca fronteira em "alerta máximo" e diz que pode "morrer pela Venezuela"

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DE SÃO PAULO

Atualizado às 16h04.

Em resposta às acusações da Colômbia durante a reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos) -- de que a Venezuela abriga ao menos 1.500 guerrilheiros colombianos em 87 campos de treinamento -- o líder da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou a ruptura de relações diplomáticas entre Caracas e Bogotá, e afirmou que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, é "mentiroso" e "mafioso".

Venezuela rompe relações com a Colômbia
Chávez não luta contra guerrilhas, diz Colômbia
Colômbia acusa Venezuela de esconder guerrilheiros
Colômbia prova presença de Farc e ELN
Em meio à crise, Chávez diz que Uribe é "mafioso"
Sem querer, Maradona entra em briga política entre Venezuela e Colômbia

O líder defendeu os venezuelanos dizendo que são "capazes de morrer defendendo nossa verdade e a dignidade deste país", além de caracterizar Uribe como "um mentiroso, obsessivo, mafioso, se presta a qualquer jogada, é capaz de qualquer coisa e instalou um governo de máfias, triste e lamentavelmente para este povo querido e irmão e para seus vizinhos que somos nós", informou o jornal venezuelano "El Universal".

"Não nos resta por dignidade, senão romper totalmente as relações diplomáticas com irmã Colômbia e isso me dá uma lágrima no coração. Espero que se imponha a racionalidade no que a Colômbia pensa", disse.

Jorge Silva/Reuters
Hugo Chávez anunciou ruptura de relações entre Caracas e Bogotá ao lado do argentino Diego Maradona
Hugo Chávez anunciou ruptura de relações entre Caracas e Bogotá ao lado do argentino Diego Maradona

Chávez disse ainda que a decisão de romper relações deve-se à "gravidade do ocorrido" durante a sessão da OEA, quando o governo colombiano reforçou as acusações contra Caracas.

Ainda citado pelo "El Universal", o líder da Venezuela argumentou que as supostas provas de que o país abrigue ao menos 1,5 mil guerrilheiros colombianos em 87 campos de treinamento são "invenções".

"Lá [na Colômbia], se inventaram falsos positivos que foram capturados pelas forças militares da Colômbia e os levaram a uma montanha, os mataram, e depois de tê-los matado nos bairros pobres de Bogotá e Medellín, os vestiram com uniformes militares", acrescentou.

Em alusão às práticas realizadas durante os regimes ditatoriais na América Latina, Hugo Chávez indicou que a "criação de falsas provas" já era feita pelos EUA e foi ensinada na "Escola das Américas".

"Aqui também houve outro caso em Las Coloradas. Mataram alguns camponeses na fronteira com a Colômbia (...) e os vestiram com roupas de guerrilheiros. Depois foram apresentados em um programa de televisão dizendo que se tratava de um golpe contra a guerrilha", disse Chávez, explicando que na verdade a ação foi também realizada pelo Exército da Venezuela, mas que os venezuelanos jamais diriam que os camponeses eram guerrilheiros.

William Fernando/AP
O governo de Álvaro Uribe acusou a Venezuela de esconder líderes das guerrilhas colombianas Farc e ELN
O governo de Álvaro Uribe acusou a Venezuela de esconder líderes das guerrilhas colombianas Farc e ELN

A decisão de colocar as fronteiras em "alerta máximo" deve-se ao risco de que o Uribe, "movido por seu ódio contra a Venezuela", opte por uma ação militar contra Caracas, enfatizou o líder venezuelano.

As declarações de Chávez foram feitas em rede nacional de televisão, ao lado do técnico da seleção de futebol argentina Diego Maradona, que está em visita à capital da Venezuela. Maradona disse que "isso não é culpa dos colombianos", segundo o jornal colombiano "El Tiempo".

PROVAS

Nesta quinta-feira, em sessão extraordinária da OEA (Organização dos Estados Americanos), a Colômbia exibiu fotos, vídeos e testemunhos que provariam a presença de ao menos 87 acampamentos e 1.500 guerrilheiros protegidos em solo venezuelano.

O embaixador da Colômbia no órgão, Luis Alfonso Hoyos, afirmou que os acampamentos não são novos "e continuam se consolidando".

"Não são [apenas] casas. São ao menos 87 estruturas completamente armadas em território venezuelano".

Em seu discurso, que também contou com fotos e imagens aéreas, Hoyos se concentrou nas informações sobre quatro localidades, que abrigariam os acampamentos nomeados Ernesto, Berta, Bolivariano e Jesus Santrich, situados 23 quilômetros para dentro do território venezuelano.

Fernando Llano/AP
Em reação, Hugo Chávez rompeu relações com a Colômbia e disse que Álvaro Uribe é "mentiroso" e "mafioso"
Em reação, Hugo Chávez rompeu relações com a Colômbia e disse que Álvaro Uribe é "mentiroso" e "mafioso"

A Venezuela negou nesta quinta-feira as acusações e alegou que as fotos aéreas mostradas como provas foram tiradas em território colombiano.

"Uma das imagens onde se mostra Pablito em uma suposta praia venezuelana, a cor da areia me faz pensar que é mais parecida com a praia de Santa Marta [na Colômbia], grata cidade porque foi onde morreu nosso libertador. Além disso, a cor do céu e das flores são muito parecidas e isso pode ser tanto na Colômbia quanto na Venezuela", defendeu o embaixador venezuelano na OEA, Roy Chaderton.

CRISE DIPLOMÁTICA

Três semanas antes de deixar o governo da Colômbia, o presidente Álvaro Uribe agravou a crise diplomática com a Venezuela ao denunciar que Caracas esconde guerrilheiros em seu território.

"É uma patranha do governo burguês da Colômbia, governo apátrida da Colômbia. Não vou cair em provocações", declarou o venezuelano em um ato transmitido nesta sexta-feira em rede nacional de rádio e TV.

Essa ação "obedece ao desespero de Uribe, que está de saída, mas não significa que vamos ficar calados", continuou Chávez, referindo-se ao mandato do presidente colombiano, que será encerrado em 7 de agosto. Ele "é um mafioso e é capaz de qualquer coisa porque está cheio de ódio", completou.

HISTÓRICO

As relações bilaterais entre Colômbia e Venezuela foram "congeladas" em julho de 2009 por Caracas, depois do anúncio de um acordo de cooperação militar entre Bogotá e Washington que Chávez considerou uma "ameaça para a segurança regional".

Chávez indicou que as acusações de Uribe constituem um obstáculo a qualquer iniciativa do presidente-eleito na Colômbia, Juan Manuel Santos, de tentar retomar as relações bilaterais entre os dois países.

"Isso que está ocorrendo é o desespero do grupo da extrema-direita que rodeia Uribe para tentar gerar um grande conflito e impedir Santos de voltar a estabelecer relações respeitosas com sua irmã Venezuela", afirmou Chávez.

"Acreditamos sinceramente que o novo governo da Colômbia tem agora um grande obstáculo que é o velho governo", afirmou o presidente.

Chávez disse ainda esperar que o "novo presidente da Colômbia honre seu posto (...) apesar de seu passado" e assegurou que o restabelecimento das relações bilaterais é "bom" para todos.

LÍDERES

De acordo com a Colômbia, os líderes escondidos seriam Iván Márquez; Rodrigo Granda, conhecido como Ricardo; Timoleón Jiménez, conhecido como Timochenko; e Germán Briceño, conhecido como Grannobles (das Farc); assim como Carlos Marín Guarín, conhecido como Pablito (do ELN)". Segundo a Presidência colombiana, também estão na Venezuela "outros integrantes do grupo terrorista ELN".

Iván Márquez é membro do secretariado (comando central) das Farc, e em 2007 foi recebido em Caracas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, quando este, a pedido de seu homólogo colombiano Alvaro Uribe, mediava uma troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos.

Rodrigo Granda, considerado o "chanceler" das Farc, foi libertado por Uribe em 2007 para facilitar essa tentativa de troca. Timoleón Jiménez também faz parte do secretariado das Farc e foi o encarregado de anunciar, em 2008, a morte por causas naturais de seu fundador, Manuel Marulanda "Tirofijo". Germán Briceño é o irmão do chefe militar das Farc, "Mono Jojoy".

COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

 

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