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Chávez ameaça cortar fornecimento de petróleo aos EUA
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DA REUTERS, EM CARACAS
Atualizado às 21h42.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou no domingo cortar o fornecimento de petróleo aos Estados Unidos no caso de um ataque militar da Colômbia, em uma disputa entre os dois países sobre acusações de que a Venezuela estaria abrigando rebeldes esquerdistas.
Chávez, um esquerdista e crítico voraz dos EUA, cortou relações diplomáticas com a Colômbia na semana passada, devido a acusações de que o governo de Álvaro Uribe, que está em seu fim, é um aliado dos norte-americanos.
"Se houver qualquer agressão armada contra a Venezuela, vinda do território colombiano ou de qualquer outro lugar, causado pelo império ianque, suspenderemos os carregamentos de petróleo aos Estados Unidos, mesmo que tenhamos de comer pedra aqui", afirmou Chávez.
"Não mandaremos uma gota mais para as refinarias dos EUA", afirmou, causando um grito uníssono de aprovação de milhares de partidários em um comício do Partido Socialista.
Chávez afirmou temer que um ataque da Colômbia era iminente, depois de Bogotá ter acusá-lo de permitir que importantes comandantes dos rebeldes esquerdistas das FARC operem livremente em regiões perto da fronteira.
O presidente negou as acusações colombianas e disse que não tolerará qualquer grupo armado estrangeiro na Venezuela.
A disputa com a Colômbia dominou a agenda política da Venezuela antes das eleições legislativas de 26 de setembro, desviando a atenção de uma grande recessão no país e da alta inflação.
COLÔMBIA
Também hoje, Chávez indicou que para restabelecer as relações com a Colômbia primeiro é preciso "receber sinais claros e inequívocos de que há vontade política no novo governo" de Juan Manuel Santos.
A afirmação de Chávez foi feita em suas "linhas" dominicais ao comentar que o atual líder colombiano, Álvaro Uribe, quebrou todas as pontes que uniam os governos e levou à ruptura das relações diplomáticas entre os dois países.
Chávez acrescentou que "vai esperar" esses sinais após lembrar que a ruptura de relações ocorreu "diante de tantas provocações e agressões por parte de quem é o administrador dos interesses americanos na Colômbia".
"Não ficou outra alternativa, por dignidade, que romper totalmente as relações diplomáticas com seu governo. Foi um anúncio que fiz com uma lágrima cruzando meu coração", expressou o presidente venezuelano.
"Confio em que a Colômbia bolivariana, a Colômbia que pensa e ama, a Colômbia profunda que encarna seu povo, a Colômbia de seus grandes intelectuais e seus verdadeiros líderes políticos, faça sentir a força de sua voz contra os que querem transformá-la na plataforma de uma intervenção militar americana na Venezuela", manifestou Chávez.
Venezuela rompeu relações com a Colômbia em 22 de julho depois que o embaixador colombiano diante da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Hoyos, em uma sessão extraordinária, denunciou que na Venezuela se refugiam 1,5 mil guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional).
Chávez respondeu que se trata de uma "armadilha" da comunidade internacional para que seja aceita uma agressão militar à Venezuela, do mesmo modo que foi preparada com o assunto das armas de destruição em massa antes da invasão do Iraque.
Na quinta-feira, os chanceleres da Unasul (União Sul-Americana de Nações) analisarão o caso em Quito, como anunciou no sábado uma fonte da Chancelaria equatoriana.
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