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31/07/2010 - 08h36

Alemanha reza missa pelos mortos na Love Parade; Estado pede rigor no inquérito

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Hannelore Kraft, a primeira-ministra da Renânia do Norte-Vestfália, Estado onde se realizou o festival de música eletrônica Love Parade, que deixou 21 mortos na semana passada, pediu rigor nas investigações sobre a tragédia durante uma missa realizada neste sábado na Alemanha.

A chefe de Estado alemã Angela Merkel e o presidente Christian Wulff encerraram suas férias para estarem presentes ao funeral. Os organizadores esperam até cem mil pessoas.

Kraft exigiu que os envolvidos no inquérito atuem com "sentido do dever" no esclarecimento do tumulto ocorrido na cidade de Duisburg, quando 21 pessoas da Alemanha e de outras partes do mundo morreram pisoteadas.

"Temos o dever com os que perderam seus familiares", afirmou Kraft na celebração em homenagem aos mortos realizada na Igreja Luterana de Duisburg, para lembrar que entre essas vítimas havia jovens que chegaram "a partir da Itália, Holanda, Bósnia, China e Espanha", em alusão aos oito estrangeiros mortos no festival de música eletrônica.

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"Todos vieram para divertir-se na Love Parade, que acabou em uma dança da morte", disse o presidente do Conselho da Igreja Luterana, Nikolas Schneider, cooficiante da cerimônia junto com o bispo católico Franz Josef Overbeck.

Kraft, do Partido Social-Democrata (SPD) e no cargo há apenas 15 dias, foi a única representante política a falar na celebração religiosa, assistida ainda pelo oficial do Estado maior da política alemã.

O ofício foi transmitido ao vivo para outras 14 igrejas da cidade e para o estádio de futebol de Duisburg, assim como pelas duas redes de televisão pública, ARD e ZDF, e vários canais de informação privados.

DOR

Uma semana depois da tragédia na maior festa de música eletrônica do mundo, a Alemanha segue imersa na dor e na indignação pelo ocorrido, enquanto são esclarecidas as causas e responsabilidades pela tragédia.

As críticas se centram tanto na gestão do prefeito de Duisburg, Adolf Sauerland, quanto no papel do organizador, Rainer Schaller, apontado como o responsável direto do ocorrido nos relatórios, ainda provisórios, da polícia e da promotoria.

Hermann J. Knippertz-23jul.10/AP/dapd
Pessoas tentam deixar área do tumulto na Love Parade, festival de techno que acontecia em Duisburg
Pessoas tentam deixar área do tumulto na Love Parade, festival de techno que acontecia em Duisburgo

Nem o prefeito nem o organizador foram à missa, por questões de segurança e por respeito às vítimas, segundo explicaram ambos, já que sua presença poderia gerar tensões. Do total de 511 feridos na tragédia, 25 seguem hospitalizados.

ESMAGADAS

Ainda na quarta-feira (28), Hannelore Kraft confirmou que as vítimas do pânico generalizado ocorrido na Love Parade morreram esmagadas durante a correria.

A revelação de Kraft desmentiu a teoria de que as vítimas teriam morrido quando caíram de uma escada de emergência pela qual tentavam fugir, em meio ao evento realizado no sábado passado (24). Em entrevista aos jornalistas, ela afirmou que a causa das mortes foram contusões no tórax.

PREFEITO

O prefeito de Duisburg, Adolf Sauerland, está sob forte pressão para renunciar desde que a imprensa alemã levantou suspeitas de que ele sabia dos riscos do festival de música. Os pedidos de renúncia vêm até mesmo de membros do partido de Sauerland, a União Democrata-Cristã (CDU).

O porta-voz da comissão de Interior do Bundestag (Parlamento alemão), o democrata-cristão Wolfgang Bosbach, exigiu na quinta-feira à noite a renúncia do prefeito em declarações no canal público ZDF.

Bosbach criticou Sauerland, dizendo que ele não assumiu sua responsabilidade na tragédia. Segundo o porta-voz, o prefeito não foi quem assinou a autorização da festa, já que não era sua responsabilidade, mas quem o fez é um de seus melhores aliados.

"Não importa se ele assinou a autorização ou não, isso é secundário", assinalou Bosbach. O Partido Liberal em Duisburg também se uniu ao pedido de renúncia feito dias atrás pela Esquerda, segundo a edição desta sexta-feira do jornal Rheinische Post.

 

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