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Premiê britânico afugentou um aliado importante, diz ex-chanceler do Reino Unido
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Após afirmar numa visita à Índia que o Paquistão "exporta o terrorismo" e faz "jogo duplo" na guerra do Afeganistão, o premiê do Reino Unido David Cameron vem sendo alvo de duras críticas por diplomatas e políticos paquistaneses, além da própria oposição britânica.
O chefe dos serviços de inteligência do Paquistão cancelou uma viagem que faria a Londres e a visita ao Reino Unido do presidente paquistanês Asif Ali Zardari na próxima semana, apesar de ainda marcada, tem grandes chances de ser adiada ou desmarcada por completo.
Para o ex-chanceler do Reino Unido, David Miliband, Cameron afugentou um aliado importante. O cancelamento da viagem é "claramente uma má notícia", disse à imprensa britânica.
"O Reino Unido precisa ter boas relações com o Paquistão, e o Paquistão precisa ter boas relações com o Reino Unido", disse.
"Os comentários do premiê nesta semana trataram somente de um lado da história e isto enfureceu as pessoas no Paquistão. É vital que ele mostre que entende a necessidade não só do Paquistão atacar o terrorismo mas que ele apoiará o país a fazer isso e compreende as perdas que eles tiveram", disse Miliband.
AMEAÇAS
O relacionamento diplomático entre Londres e Islamabad já havia sido ameaçado quando na semana passada, ainda em visita à Turquia, Cameron afirmou que as relações bilaterais entre os dois países dependiam de uma maior cooperação do Paquistão contra o terrorismo.
Em Nova Délhi, na continuação de seu giro pela Ásia, Cameron foi mais longe e acusou o governo paquistanês de fazer um jogo duplo na guerra do Afeganistão, travando alianças com as potências ocidentais e ao mesmo tempo "exportando o terror" para o outro lado da fronteira.
"Não é aceitável que existam grupos terroristas no Paquistão, grupos que causam terrorismo não só no próprio país, mas no Afeganistão ou na Índia", afirmou o premiê britânico em entrevista coletiva conjunta em Nova Déli com seu colega indiano, Manmohan Singh.
O líder britânico causou a ira do Paquistão ao assinalar, também, na quarta-feira passada, que esse país deve deixar de "exportar terror", o que levou o embaixador paquistanês no Reino Unido, Wajid Shamsul Hassan, a imediatamente qualificar esse discurso como a "reação imatura de um político imaturo".
COMPARAÇÕES COM VIETNÃ
Para o famoso ex-jogador de críquete e atual político paquistanês Imran Khan, a posição de Cameron quanto ao papel do Paquistão na guerra afegã é similar às críticas feitas pelos EUA ao Camboja durante a guerra do Vietnã.
Em entrevista à emissora britânica BBC, Khan disse que com o fracasso nas operações das forças ocidentais seria a causa das declarações do premiê, assim como o governo americano teria usado o país vizinho ao Vietnã para justificar os maus resultados das operações militares na região.
"Há obviamente muita raiva no Paquistão após as declarações de Cameron porque neste país as pessoas consideram que este país é o que mais sofre com o terrorismo", disse.
"Estamos sendo culpados pelo fracasso total da campanha no Afeganistão, esta campanha amaldiçoada. O Paquistão tornou-se a válvula de escape. O Paquistão tornou-se o que o Camboja foi na guerra do Vietnã", afirmou Khan.
WIKILEAKS
As polêmicas declarações de Cameron foram feitas durante visita à Índia. "Devemos ser muito, muito claros com o Paquistão que queremos ver um Paquistão forte, estável e democrático", disse Cameron a jornalistas na cidade de Bangalore, no sul da Índia.
"Não podemos tolerar de forma nenhuma a ideia de que esse país possa olhar para os dois lados e possa, de alguma forma, promover a exportação do terror, seja para a Índia, seja para o Afeganistão ou para qualquer lugar do mundo", acrescentou.
Os comentários de Cameron vêm dias depois de documentos militares confidenciais dos Estados Unidos, publicados pelo site WikiLeaks, detalharem preocupações norte-americanas de que o Paquistão tenha ajudado o Taleban enquanto recebia bilhões de dólares em ajuda dos EUA.
O Paquistão, aliado dos Estados Unidos, é visto como essencial nas negociações para pôr fim à guerra de nove anos no Afeganistão por conta de sua influência sobre o Taleban.
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