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31/07/2010 - 15h14

Farc propõem diálogo com Juan Manuel Santos, presidente-eleito da Colômbia

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DE CARACAS
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O líder máximo das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Alfonso Cano, sugeriu ao presidente eleito colombiano, Juan Manuel Santos, o restabelecimento do diálogo na busca de saída negociada para o conflito armado no país.

Em mensagem de pouco mais de meia hora divulgada ontem em site ligado à narcoguerrilha, Cano diz estar, "uma vez mais", propondo que as Farc e o governo colombiano conversem.

"Seguimos empenhados em buscar saídas políticas. Desejamos que o governo que assumirá reflita, que não engane mais o país", diz o vídeo, datado deste mês.

O aceno ocorre a uma semana da posse de Santos e em meio a mais uma crise regional tendo como pivô justamente as Farc. Segundo o presidente Álvaro Uribe, até 1.500 membros da guerrilha encontram abrigo na Venezuela do rival Hugo Chávez.

Mensagens similares, focadas porém na troca de sequestrados por guerrilheiros presos, foram dirigidas a Uribe --e rejeitadas--, mas esta é a primeira ao eleito. Até ontem, o futuro presidente, que assumirá no dia 7, não comentara o vídeo.

LEGITIMIDADE

Santos, que foi ministro da Defesa de Álvaro Uribe, foi eleito prometendo continuar as políticas da "segurança democrática" linha-dura do atual governo, que reduziram de 20 mil para 8.000 o efetivo da guerrilha.

Mais que disposição ou não do novo governo de conversar, para analistas o primeiro passo é "relegitimar" o diálogo na Colômbia. "Creio que Santos tem a ideia de diálogo na cabeça, mas é bastante cedo. Vai demorar para modular o discurso. Vivemos oito anos de polarização", diz a analista Laura Gil.

"O que Chávez insiste em não entender é que, como ele, Uribe é fruto de um processo político. Votou-se na direita na Colômbia pelo fracasso das negociações com a guerrilha no governo Pastrana [1998-2002]", conclui.

Além da negociação no governo Pastrana, que alargou a área de influência das Farc, houve outra tentativa de diálogo no governo Belisario Betancourt (1982-86).

Na Colômbia, as Farc são rejeitadas por mais de 90% da população, especialmente pela prática do sequestro, uso de minas terrestres e vínculo com o narcotráfico.

No discurso da vitória, em junho, o futuro presidente lançou condições para conversar com a guerrilha: abandono de "métodos terroristas" e libertação unilateral dos reféns em seu poder.

"Por enquanto, o vídeo de Cano são só palavras. Será preciso um gesto para esperar uma reação do novo governo", diz Alejo Vargas, professor da Universidade Nacional e um dos facilitadores no fracassado processo de diálogo com o Exército de Libertação Nacional, a outra guerrilha ativa no país, hoje bastante reduzida. Resta outra dúvida: o poder militar de Cano sobre as frentes guerrilheiras, algumas bastante autônomas.

 

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